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ABANDONO, ESCURIDÃO E DESCASO: PRAÇAS DE LEME VIVEM EM SITUAÇÃO CRÍTICA
Jornal Tribuna de Leme | 11/02/2026

ABANDONO, ESCURIDÃO E DESCASO: PRAÇAS DE LEME VIVEM EM SITUAÇÃO CRÍTICA

Moradores denunciam sujeira, falta de manutenção e abandono no Jardim Saulo e em outras regiões da cidade

O Jornal Tribuna de Leme recebeu, nos últimos dias, uma enxurrada de reclamações de moradores do Jardim Saulo sobre o estado de abandono em frente ao CRAS Saulo e na tradicional Praça de Lazer do bairro, conhecida como Praça do Padre Cícero. O cenário encontrado no local é revoltante e revela o retrato do descaso que se espalha por toda a cidade.

Em frente ao CRAS, recentemente foi realizada a poda de árvores, mas os galhos simplesmente foram abandonados na rua. Há dias, os resíduos permanecem no local, impedindo até mesmo o acesso adequado à unidade. Segundo moradores, “não tem como entrar de tanto galho na frente”. A falta de limpeza transformou o entorno do CRAS em um verdadeiro depósito a céu aberto.

Já na Praça do Padre Cícero, o abandono é ainda mais evidente. O espaço, que deveria ser um local de convivência, lazer e segurança para as famílias, encontra-se completamente às escuras, com iluminação precária ou inexistente. Brinquedos quebrados, aparelhos de academia danificados, mato, sujeira e equipamentos deteriorados fazem parte da paisagem.

Sem manutenção, a praça deixou de ser um ponto de encontro e se tornou símbolo do descaso.

“SÓ LEMBRAM DA PRAÇA NA ÉPOCA DA FESTA”

Moradores relatam que a única época em que a prefeitura aparece no local é durante a realização da Festa de Tradições Nordestinas. Nesse período, a praça recebe pintura, troca de lâmpadas e limpeza emergencial. Passado o evento, tudo volta ao abandono.

“É só na festa. Depois, some todo mundo. A gente fica no escuro, com tudo quebrado, sem lugar para as crianças brincarem”, relata uma moradora.

Durante a maior parte do ano, o espaço permanece deteriorado, colocando em risco crianças, idosos e toda a comunidade.

RETRATO DE UMA CIDADE ABANDONADA

Infelizmente, o que acontece no Jardim Saulo não é um caso isolado. A situação reflete a realidade de diversas praças e áreas públicas de Leme: sujeira, falta de manutenção, buracos nas ruas, equipamentos públicos sucateados e abandono generalizado.

A população tem reclamado constantemente da falta de cuidados durante a gestão Claudemir Borges, que, segundo moradores, vem deixando os bairros à própria sorte.

O resultado é uma cidade cada vez mais degradada, sem planejamento, sem fiscalização eficiente e sem políticas públicas capazes de garantir qualidade de vida à população.

A TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS E A REALIDADE DE LEME

Especialistas apontam que a chamada Teoria das Janelas Quebradas, desenvolvida em 1982, explica exatamente o que está acontecendo em Leme. Pequenos sinais de abandono — como sujeira, equipamentos quebrados e falta de manutenção — passam a sensação de impunidade e descaso.

Com isso, aumenta o vandalismo, o descarte irregular de lixo e o comportamento desordenado, criando um ciclo de degradação difícil de ser revertido.

Hoje, a cidade apresenta inúmeros pontos de lixo irregular, áreas públicas abandonadas e prédios deteriorados. Embora parte da responsabilidade seja da população, a falta de fiscalização e de políticas públicas por parte do Executivo contribui diretamente para esse cenário.

POPULAÇÃO CANSADA DE PAGAR E NÃO RECEBER

O sentimento predominante entre os moradores é de revolta. A população paga impostos altos, mas não recebe em troca: serviços de qualidade, atendimento digno e espaços públicos bem cuidados.

Pais e mães não têm mais onde levar seus filhos para brincar com segurança. Idosos não contam com áreas adequadas para lazer. Jovens convivem diariamente com praças escuras, inseguras e abandonadas.

“Estamos cansados. Pagamos impostos e não temos nada em troca”, resume um morador.

ATÉ QUANDO?

A situação do CRAS Saulo e da Praça do Padre Cícero escancara a falta de planejamento, cuidado e compromisso com a cidade. Enquanto a prefeitura segue sem respostas concretas, os bairros continuam sofrendo.

A pergunta que fica é: até quando Leme vai conviver com o abandono?

A população cobra ações imediatas, manutenção constante, iluminação, limpeza, fiscalização e respeito. Não se trata de luxo — trata-se de dignidade, segurança e qualidade de vida.

O Jornal Tribuna de Leme seguirá acompanhando o caso e dando voz aos moradores que não aceitam mais viver em uma cidade esquecida pelo poder público.

ATENÇÃO: Fotos enviadas por moradores nos dias 01 e  02 de fevereiro.