CÂMARA APROVA FIM DA OBRIGATORIEDADE DE AUDIÊNCIAS PÚBLICAS E DECISÃO GERA REVOLTA: VEREADORES MUDAM VOTO E DÃO “CHEQUE EM BRANCO” AO PREFEITO
Projeto aprovado por 7 votos a 4 derruba lei que garantia participação popular e levanta questionamentos sobre mudança repentina de posicionamento dos parlamentares
A Câmara Municipal de Leme aprovou, na sessão de 18 de fevereiro, um projeto de lei do prefeito Claudemir Borges que revoga a obrigatoriedade de realização de audiências públicas no município — medida que, até então, garantia a participação direta da população em decisões importantes da administração.
A votação, que terminou em 7 votos a favor e 4 contra, acendeu um forte debate político e levantou questionamentos sobre a mudança repentina de posicionamento de parte dos vereadores.
QUEM VOTOU A FAVOR E QUEM VOTOU CONTRA
Votaram a favor da revogação da lei:
• João Cerbi
• Andrea Mondin
• Cristiano Boff
• Fabiele “Bicho Carente”
• Carina Blascke
• Ademir Lopes
• Amarilis Ribeiro
Votaram contra a revogação:
• Coronel João Arrais
• Airton Cândido
• Ellan Paixão
• Dr. David Pedrão
A presidente da Câmara, Cintia Grossklauss, não votou, conforme o regimento, pois só se manifesta em caso de empate.
CONTRADIÇÃO CHAMA ATENÇÃO
O que mais chamou a atenção foi o fato de que a lei agora revogada havia sido aprovada por unanimidade em 2025 — ou seja, os próprios vereadores que votaram pela sua derrubada haviam votado anteriormente a favor dela.
Na época, o texto foi apresentado como um avanço democrático, garantindo transparência e participação popular em decisões relevantes do município.
Agora, menos de um ano depois, os mesmos parlamentares mudaram de posição e aprovaram sua revogação.
PARECER JURÍDICO CONTRÁRIO FOI IGNORADO – PARA VARIAR
Outro ponto que gerou polêmica foi a existência de parecer jurídico contrário à revogação da lei, que apontava riscos à transparência e à participação social.
Mesmo assim, a maioria dos vereadores decidiu seguir o projeto enviado pelo Executivo.
POPULAÇÃO PERDE DIREITO DE OPINAR
Com a mudança, a Prefeitura deixa de ser obrigada a realizar audiências públicas antes de decisões relevantes, o que, na prática, reduz a participação direta da população.
Críticos classificaram a medida como um “cheque em branco” dado ao prefeito, permitindo que decisões sejam tomadas sem consulta popular.
MUDANÇA REPENTINA LEVANTA SUSPEITAS
A rapidez na mudança de posicionamento dos sete vereadores gerou questionamentos nos bastidores políticos e entre a população.
A principal pergunta que ecoa é: O que mudou em tão pouco tempo para que parlamentares que defenderam a participação popular agora votassem para eliminá-la?
Até o momento, não houve explicações claras que justifiquem a alteração de postura.
ALERTA DEMOCRÁTICO
Especialistas e lideranças locais avaliam que a decisão representa um retrocesso na transparência e no controle social das políticas públicas.
Para críticos, o episódio evidencia uma mudança preocupante na relação entre o Legislativo e o Executivo municipal.
O QUE ESTÁ EM JOGO
Mais do que uma simples alteração legal, a votação coloca em debate o próprio papel da participação popular na gestão pública de Leme.
Enquanto a administração argumenta sobre agilidade administrativa, opositores alertam para os riscos de decisões tomadas sem ouvir a população.
A aprovação do projeto, portanto, não encerra a discussão — pelo contrário, abre uma nova fase de questionamentos políticos e sociais no município.