CIDADE TOMADA PELO MATO, LIXO E DESCASO: POPULAÇÃO PAGA O PREÇO DA FALTA DE GESTÃO DO GOVERNO CLAUDEMIR BORGES E, TAMBÉM DE NÃO COLABORAR
O período de chuvas chegou — e com ele, um cenário que tem revoltado moradores de todas as regiões de Leme: mato alto, lixo espalhado, mau cheiro e risco iminente à saúde pública. A dengue avança, animais peçonhentos aparecem e a sensação geral é de abandono. Para a população, a zeladoria urbana vive um dos seus piores momentos.
O problema, que já vinha sendo alvo de reclamações há meses, foi agravado por uma decisão administrativa considerada desastrosa. Entre os dias 23 de dezembro e 4 de janeiro, a Prefeitura colocou em “recesso” os serviços considerados não essenciais, o que, na prática, significou 12 dias sem limpeza urbana efetiva, sem controle de zoonoses e sem manutenção adequada dos espaços públicos. O resultado está estampado nas ruas.
Especialistas em gestão pública são unânimes: faltou planejamento. Em vez de uma escala inteligente, com parte das equipes atuando no Natal e outra no Ano Novo, a administração optou por liberar todos ao mesmo tempo. O descanso dos servidores — legítimo e necessário — acabou sendo usado como desculpa para encobrir a ausência de visão estratégica dos gestores, que agora correm atrás de um prejuízo difícil de recuperar.
A culpa, definitivamente, não é dos trabalhadores, que há tempos lidam com sobrecarga e estrutura limitada. A responsabilidade recai sobre o prefeito e seus secretários, que permitiram que um problema crônico se transformasse em uma crise sanitária anunciada.
LIXEIRAS SEM DONO, LIXO SEM CONTROLE
Outro símbolo do desgoverno são as lixeiras espalhadas pela cidade. Instaladas pela Saecil — fora de sua finalidade original —, elas deveriam ajudar na limpeza urbana. Na prática, viraram focos de lixo, mau cheiro e conflito institucional.
Moradores relatam um verdadeiro jogo de empurra: ao ligar para a Secretaria de Serviços Municipais, são informados de que a limpeza é responsabilidade da Saecil. Ao procurar a Saecil, recebem a resposta contrária. Enquanto isso, ninguém limpa, ninguém fiscaliza e a população convive com lixo acumulado, mosquitos, ratos, escorpiões e até cobras.
Não houve planejamento, nem diálogo entre secretarias. Tampouco uma simples campanha de conscientização explicando como usar as lixeiras, o que pode ser descartado e quando ocorre a limpeza. O improviso virou regra... Lamentável!
POPULAÇÃO TEM CULPA, MAS O PODER PÚBLICO TEM DEVER
É inegável: quem joga lixo em terreno baldio ou via pública também é responsável. São cidadãos que insistem em desrespeitar a cidade e colocar outros em risco. Porém, a omissão do poder público tem ampliado esse comportamento.
A falta de fiscalização efetiva e de multas rigorosas criou um ambiente de impunidade. O resultado é previsível: quanto menos fiscalização, mais descarte irregular. O que parece não entrar na cabeça da administração é que fiscalizar também gera arrecadação, recursos que poderiam ser revertidos em mais câmeras, mais máquinas, mais equipes e mais ecopontos bem estruturados.
ECOPONTO: DE ECOLÓGICO, SÓ O NOME
O chamado ecoponto municipal é outro retrato do fracasso da política de resíduos. Longe de ser um espaço organizado, ele se transformou em um lixão cercado, sem controle de acesso, sem fiscalização e sem qualquer triagem do que é descartado.
Ali entra de tudo: lixo doméstico, entulho, animais mortos e resíduos irregulares. O local é aberto, sofre com queimadas constantes e prejudica diretamente os moradores do Jardim Angélica, que convivem com fumaça tóxica e mau cheiro.
E a lógica é simples: ninguém atravessa a cidade para jogar lixo longe. Sem ecopontos distribuídos estrategicamente, o descarte acaba acontecendo no terreno baldio mais próximo. Isso não é falta de educação apenas — é falta de política pública séria de gestão de resíduos.
Especialistas defendem um modelo completamente diferente: ecopontos menores, bem distribuídos, com contêineres, muros, controle de acesso, vigilância 24 horas e profissionais fazendo a separação imediata dos resíduos. Um modelo que reduz a resistência da população e combate o descarte irregular de forma eficiente.
IRONIA FINAL: PRIORIDADE SELETIVA
Enquanto a população sofre com mato, lixo e risco de dengue, fica a pergunta que ecoa nas ruas: se fosse para alugar tendas, som, palco, estrutura para shows ou bancar projetos milionários de robótica, o problema já não teria sido resolvido?
Em Leme, parece que para certas coisas o dinheiro, a agilidade e a organização aparecem rapidamente. Já para o básico — cidade limpa, saúde pública e dignidade urbana —, a resposta segue lenta, confusa e cheia de desculpas.
O tempo vai passar, mas os números da dengue e de outras doenças deixarão claro o preço de uma gestão que prefere empurrar problemas com a barriga. E, como sempre, quem paga a conta é a população de bem, que faz sua parte, paga impostos e assiste à cidade afundar no descaso.