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DOENÇA DO ESPECTRO DA NEUROMIELITE ÓPTICA
Jornal Tribuna de Leme | 29/09/2025

DOENÇA DO ESPECTRO DA NEUROMIELITE ÓPTICA

A doença do espectro da neuromielite óptica, conhecida como NMOSD, é uma condição rara e autoimune em que o sistema imunológico ataca por engano células e tecidos saudáveis do sistema nervoso central. A depender da região em que o ataque ocorre, os sintomas pode ser predominantemente neurite óptica (inflamação no nervo óptico) e/ou mielite (inflamação na medula espinhal), porém outras regiões podem ser afetadas e outros sintomas podem aparecer.

A NMOSD afeta principalmente mulheres entre 30 e 40 anos, porém também pode aparecer em outras faixas etárias e entre homens. Além disso, é mais comum entre pessoas com genes afrodescendentes e asiáticos.

A prevalência mundial da NMOSD é estimada entre 0,5 e 10 casos a cada 100 mil habitantes, variando de acordo com as características étnicas de cada população. No Brasil, embora a prevalência exata não seja conhecida, estudos realizados em São Paulo e Belo Horizonte encontraram 2,1 e 4,52 casos a cada 100 mil habitantes, respectivamente. Com base na população atual dessas cidades, portanto, estima-se que haja cerca de 258 pessoas com NMOSD em São Paulo e 104 na capital mineira.

Causas, sintomas e diagnóstico da NMOSD: Na NMOSD, assim como em outras doenças autoimunes crônicas e inflamatórias, há a hipótese de haver influência de fatores genéticos. O primeiro episódio geralmente é intenso. Mas, devido à semelhança dos sintomas com outras doenças do sistema nervoso central, a NMOSD pode ser confundida com outras condições, entre elas, a esclerose múltipla (EM). No caso da EM, por exemplo, a evolução ocorre de forma progressiva.

As características mais comuns nos surtos de NMOSD são: alterações na visão; perda da visão ou da acuidade visual; fraqueza; formigamento ou dormência no corpo; paralisia de membros; alterações intestinais e urinárias, como incontinência, mal-estar e vômitos; soluços persistentes.

Se ocorrer inflamação do nervo óptico, a neurite, pode haver cegueira parcial ou total. No caso de inflamação na medula espinhal, a mielite, pode surgir formigamento nas pernas e/ou braços ou paralisia.

“Uma das manifestações iniciais da doença, chamada síndrome da área postrema, gera sintomas inespecíficos como náuseas, vômitos ou soluços persistentes – e que leva o paciente a buscar uma emergência ou a gastroenterologia, enquanto trata-se de uma lesão no sistema nervoso central”, explica a Dra. Milena Pitombeira, neurologista com especialização em neuroimunologia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Já o diagnóstico é realizado por meio de um exame de sangue, que identifica o biomarcador específico da NMOSD, os anticorpos antiaquaporina-4, o que a diferencia da EM. Além disso, outros exames auxiliam no diagnóstico, como: a avaliação clínica dos sintomas, a ressonância magnética e a análise dos padrões de apresentação da doença, incluindo o tamanho e a localização das lesões causadas pelos danos nos tecidos.

Tratamento da doença do espectro da neuromielite óptica: Por fim, quando a primeira manifestação da doença acontece, o paciente geralmente é impactado por sua gravidade. De início, ele costuma procurar um oftalmologista, que deve encaminhá-lo para um neurologista. O tratamento, por se tratar de uma doença rara e autoimune, deve ser conduzido por um neuroimunologista, mas essa não é a realidade da maioria dos casos.

A cada vez que a NMOSD se manifesta por meio dos surtos, o paciente corre o risco de sofrer danos irreversíveis. Por isso, o objetivo inicial do tratamento é atuar no sistema imune para que não haja inflamação, já que os surtos podem ocorrer a qualquer momento.

Durante os episódios da doença, o tratamento é feito com terapia intravenosa para retirar o paciente da inflamação aguda causada pelo surto. Contudo, já na fase de manutenção, os tratamentos com medicamentos têm como alvo o sistema imunológico, impedindo o surgimento de novos surtos. Terapias de suporte, como a fisioterapia e a psicoterapia, são fundamentais para um prognóstico mais favorável e para proporcionar mais conforto ao paciente, considerando que a cada surto, 70% dos pacientes relatam ter impacto negativo na qualidade de vida e 35% resultam em internação médica.

CONSULTE SEMPRE UM MÉDICO

Fonte: Portal Drauzio Varella

Foto: Medicina de Excelência