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EDUCAÇÃO OU FESTA? EDUCAIPIRA JÁ ULTRAPASSA R$ 342 MIL ENQUANTO ESCOLAS AINDA ENFRENTAM PROBLEMAS EM LEME
Jornal Tribuna de Leme | 19/06/2026

EDUCAÇÃO OU FESTA? EDUCAIPIRA JÁ ULTRAPASSA R$ 342 MIL ENQUANTO ESCOLAS AINDA ENFRENTAM PROBLEMAS EM LEME

Enquanto pais, alunos e professores convivem diariamente com reclamações relacionadas à manutenção das escolas, atrasos em materiais e outras necessidades da rede municipal de ensino, a Prefeitura de Leme segue destinando centenas de milhares de reais para a realização da Educaipira 2026.

Levantamento realizado junto ao Portal da Transparência aponta que os gastos do evento já alcançam pelo menos R$ 342.447,86, valor que ainda pode aumentar à medida que novas despesas sejam identificadas.

Os recursos utilizados são provenientes do orçamento da Secretaria Municipal de Educação, fato que tem provocado questionamentos sobre as prioridades adotadas pela administração municipal.

MUDAM OS SECRETÁRIOS, A POLÍTICA DE GASTOS CONTINUA

A realização da Educaipira atravessou diferentes gestões à frente da Educação Municipal na gestão do prefeito Claudemir Borges.

Durante a gestão do então secretário Guilherme Schwenger, o evento já era alvo de críticas por consumir recursos da pasta. Posteriormente, sob o comando de Roberta Borges, a política de realização da festa foi mantida. Agora, com o secretário Elias Ferrara à frente da Educação, os gastos com o evento continuam gerando questionamentos.

Para críticos da iniciativa, a mudança de gestores não representou mudança de prioridades. O investimento em eventos permanece enquanto demandas estruturais da rede municipal continuam sendo apontadas por parte da população.

ONDE ESTÁ SENDO GASTO O DINHEIRO?

Os empenhos identificados até o momento revelam gastos expressivos em diversas frentes:

•        R$ 56.014,04 com shows, locução de palco e Ecad;

•        R$ 115.021,26 com som, iluminação, painéis de LED, praticáveis, cortinas e estruturas;

•        R$ 98.907,86 com tendas, camarins, avanços e balcões;

•        R$ 21.344,72 com banheiros químicos, gradis e fechamentos;

•        R$ 34.360,00 com mesas, cadeiras e registradoras;

•        R$ 9.800,00 com locação de televisores;

•        R$ 7.000,00 para filmagem e transmissão do evento.

Além disso, ainda existem custos indiretos que dificilmente aparecem de forma clara para a população, como utilização de servidores públicos, consumo de energia elétrica, montagem de estruturas, limpeza, logística,  apoio operacional, divulgação do evento, seguranças, geradores, materiais elétricos e decoração.

ESCOLAS PEDEM SOCORRO

Enquanto os preparativos para a festa avançam, pais continuam relatando necessidades nas unidades escolares.

Entre as reclamações frequentemente apresentadas à comunidade escolar estão: pedidos de melhorias estruturais, manutenção predial, equipamentos, materiais e outras demandas consideradas prioritárias para o funcionamento adequado das escolas.

A comparação inevitável feita por muitos moradores é simples: se existem recursos para shows, iluminação especial, painéis de LED, camarins e transmissões ao vivo, por que tantas reivindicações das escolas continuam aguardando solução?

QUESTIONAMENTOS QUE AINDA AGUARDAM RESPOSTAS

Outro ponto que chama atenção é a descrição de determinados empenhos relacionados à locação de estruturas para o evento. Em alguns casos, aparecem referências a períodos distintos de locação, circunstância que, segundo especialistas em controle social dos gastos públicos, exige clareza e detalhamento para facilitar a fiscalização pela população.

A sociedade tem o direito de saber quanto custa cada evento, qual o benefício efetivo para os alunos e qual o impacto desses gastos dentro do orçamento da Educação.

Afinal, quando se trata de dinheiro público, transparência não é favor. É obrigação.

E a pergunta que continua ecoando entre muitos contribuintes é: a prioridade da Educação Municipal está dentro das salas de aula ou nos palcos das festividades?