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ÉTICA NÃO SE DECLARA, SE PRATICA
Jornal Tribuna de Leme | 23/08/2026

ÉTICA NÃO SE DECLARA, SE PRATICA

Falar que “tem ética” é fácil. Qualquer pessoa pode repetir essa palavra inúmeras vezes — e, se ensinarmos um papagaio, ele também aprenderá a pronunciá-la. O que realmente importa não é o discurso, mas a conduta. Ética é fazer o que é certo mesmo quando ninguém está olhando, sem precisar de aplausos, reconhecimento ou fiscalização. No campo profissional e pessoal, ela aparece no respeito, na honestidade, na responsabilidade e, principalmente, na coerência entre aquilo que se fala e aquilo que se faz.

Na política, essa responsabilidade é ainda maior. Quem ocupa um cargo público administra recursos, toma decisões e exerce um poder que pertence à população. Por isso, ética política exige transparência, prestação de contas, respeito às leis, tratamento igualitário e compromisso com o interesse coletivo, e não apenas com conveniências pessoais ou de determinados grupos. Não basta subir em um palanque, participar de uma entrevista ou publicar nas redes sociais dizendo que é ético; são as atitudes, especialmente diante das situações difíceis, que comprovam ou desmentem esse discurso.

No fim das contas, ética não deveria ser propaganda nem qualidade que alguém precise anunciar constantemente. Ela está ligada aos valores aprendidos ao longo da formação de cada pessoa, começando dentro de casa e sendo demonstrada durante toda a vida. Caráter, honestidade e princípios aparecem nas escolhas. Porque falar sobre ética qualquer um pode falar; difícil é praticá-la todos os dias, principalmente quando fazer o certo custa mais do que fazer aquilo que é conveniente.

Sandra Kauffamn