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FEBRE MACULOSA É DOENÇA GRAVE QUE EXIGE TRATAMENTO IMEDIATO
Jornal Tribuna de Leme | 23/11/2025

FEBRE MACULOSA É DOENÇA GRAVE QUE EXIGE TRATAMENTO IMEDIATO

A febre maculosa é uma doença infectocontagiosa rara, com alta letalidade. É causada por várias bactérias do gênero Rickettsia, mas no Brasil, é provocada mais especificamente pela Rickettsia rickettsii, transmitida pelo carrapato da espécie Amblyomma cajennense, conhecido como carrapato-estrela ou micuim.

Os principais hospedeiros do carrapato-estrela são as capivaras, equinos e antas, mas eles também podem ser encontrados em bois e, mais raramente, em animais domesticados como cachorros. Os animais não transmitem a doença e não há transmissão de pessoa para pessoa.

Além dos animais, esse carrapato costuma ser encontrado em locais de mata silvestre e beira de rios. Para transmitir a doença, o carrapato infectado pela bactéria da febre maculosa tem de ficar em contato com a pele humana por cerca de 4 horas.

Quem estiver em locais em que haja casos da doença deve se proteger com repelente, roupas compridas e sapatos fechados e fazer inspeções pelo corpo ao retornar dessas áreas. Como existem outros carrapatos que podem transmitir infecções diferentes, essas recomendações servem para todas as pessoas que frequentarem zonas rurais e de mata.

Também é recomendado aplicar carrapaticidas em animais que convivem com seres humanos e podem hospedar o carrapato-estrela, como cavalos e bois.

Se você encontrar um carrapato, deve retirá-lo com cuidado, sem esmagá-lo, de preferência com a ajuda de uma pinça, para não aumentar o risco de infecção.

Sintomas da febre maculosa: O início dos sintomas, que surgem após o período de incubação que leva em média 7 dias, podendo variar de 2 a 15 dias, é abrupto. Os sintomas incluem:  febre alta, dor de cabeça, mal-estar e dores musculares, manifestações muito semelhantes aos de outras infecções mais comuns, como a dengue. Com a evolução do quadro, podem surgir náuseas, vômitos e diarreia, além de eventos hemorrágicos caracterizados por manchas vermelhas na pele que aparecem ao redor do 3º ao 5º dia.

O nome da doença traduz suas manifestações mais comuns: a febre e as máculas (pequenas manchas avermelhadas). Outra característica que pode ajudar no diagnóstico, embora nem sempre esteja presente, são pequenas pintas hemorrágicas que se formam junto da lesão, as petéquias.

Tratamento imediato: A febre maculosa tem boa chance de cura, se tratada nos primeiros dias de manifestação dos sintomas. Depois do 5º dia, contudo, o risco de morte é extremamente alto.

Como os exames laboratoriais que confirmam o diagnóstico podem demorar a sair e o tratamento rápido é primordial, médicos recomendam que, na suspeita da doença, os medicamentos antibióticos sejam prescritos imediatamente.

Nem sempre os sintomas são específicos e em geral podem ser confundidos com outras doenças mais comuns. Assim, é essencial que o paciente informe os profissionais de saúde caso tenha frequentado regiões como fazendas, sítios, chácaras e demais zonas rurais ou de mata.

Capivaras: Com um possível surto de febre maculosa não demorou para que as capivaras, principais hospedeiros do carrapato-estrela, verdadeiro transmissor da enfermidade, fossem apontadas como as vilãs da vez, embora sejam tão vítimas como os seres humanos.

O mais correto, no entanto, seria compreender o papel de outro mamífero no aumento da circulação de zoonoses: o ser humano. Afinal, é ele quem modifica, destrói e invade o habitat natural de animais, alterando o equilíbrio ecológico responsável por manter animais selvagens distantes das zonas urbanas.

Não à toa, pesquisadores e acadêmicos cada vez mais estudam a relação entre crise climática, destruição do meio ambiente e saúde, com ênfase no surgimento de surtos, epidemias e pandemias causadas por zoonoses.

Com a destruição das matas ciliares para a construção de rodovias, pastagens e culturas agrícolas, as capivaras foram forçadas a mudar seu comportamento para se adaptar às alterações em seu habitat natural. Hoje, elas são presença constante perto de rios e lagoas de diversas cidades urbanas brasileiras.

Eliminar os animais não é solução sequer para evitar a febre maculosa. É preciso monitorar e controlar as populações de animais arrancados de seu habitat natural e convencer o ser humano de que intervir no equilíbrio ecológico tem um preço que, a julgar pelas últimas décadas, será cada vez mais alto.

Por Mariana Varella