GESTÃO SEM FREIOS E FESTAS EM EXCESSO PREOCUPAM POPULAÇÃO DE LEME
O Jornal Tribuna de Leme tem percorrido as ruas da cidade e ouvido moradores de diferentes bairros. A sensação geral é de preocupação com o rumo da atual administração, liderada pelo prefeito Claudemir Borges, que tem promovido uma sequência de festas e eventos, enquanto as áreas essenciais do município enfrentam sérias dificuldades.
Entre as principais críticas está o excesso de gastos com festas e eventos, incluindo aluguel de som, tendas, palcos, estruturas metálicas, brinquedos infláveis e decorações, que vêm sendo contratados com frequência, repetindo a velha fórmula da política do “pão e circo”: muito entretenimento e pouca gestão efetiva.
Enquanto isso, as escolas municipais sofrem com falta de manutenção, rachaduras, infiltrações e ausência de ventilação adequada nas salas de aula. Na saúde, as reclamações crescem a cada semana, especialmente após os recentes casos de meningite e febre maculosa, que deixaram a população insegura e escancararam a fragilidade da estrutura pública de atendimento.
CONTAS NO VERMELHO: MUNICÍPIO JÁ GASTOU MAIS DO QUE ARRECADOU
De acordo com dados do TCESP - Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o município de Leme já gastou mais do que arrecadou em 2025 e o ano ainda nem terminou.
- Arrecadação até o momento: R$ 484.399.022,49
- Despesas totais: R$ 489.424.780,42
A diferença negativa preocupa, sobretudo porque faltam ainda dois meses para o encerramento do exercício fiscal, período que concentra pagamentos de 13º salário, férias e acertos financeiros, o que deve aumentar ainda mais as despesas municipais.
Mesmo com o desequilíbrio, a prefeitura segue anunciando decoração natalina e novos eventos. Em 2024, a ornamentação de Natal custou mais de R$ 640 mil, parte dos recursos advindos da Educação, enquanto escolas enfrentam problemas básicos como toldos rasgados e estruturas danificadas.
LEMEPREV EM ALERTA: REPASSES EM RISCO
Outro ponto que acende o sinal de alerta é a situação da LemePrev, o instituto de previdência dos servidores municipais.
O TCESP emitiu relatório em agosto alertando sobre diferença de 22,36% entre a arrecadação prevista e a arrecadação realizada, ultrapassando o limite de 10% permitido.
- Previsão de arrecadação: R$ 7.151.840,00
- Valor arrecadado: R$ 5.552.964,25
- Déficit: R$ 1.598.875,75
O documento do Tribunal é claro: o município precisa regularizar os repasses obrigatórios à LemePrev, sob risco de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e comprometer o equilíbrio atuarial da previdência municipal.
Na prática, isso significa que a prefeitura não vem depositando integralmente as contribuições previdenciárias dos servidores, o que pode gerar rombos no futuro, situação semelhante à vivida por Araras, que acumula uma dívida previdenciária milionária e hoje chega a pagar aluguéis ao próprio Instituto de Previdência local após ter transferido imóveis públicos para cobrir o déficit.
HORA DE FECHAR A TORNEIRA E PRIORIZAR O ESSENCIAL
Os números e as evidências apontam para uma necessidade urgente: rever prioridades e restabelecer o equilíbrio fiscal de Leme.
É hora de fechar a torneira dos gastos supérfluos e investir onde realmente importa: na saúde, na educação e na infraestrutura pública.
A população pede menos fogos e palcos e mais planejamento, seriedade e responsabilidade com o dinheiro público.
Leme precisa voltar a ser exemplo de gestão equilibrada, e não de gastança descontrolada enquanto as áreas essenciais agonizam.
Ainda dá tempo, temos três anos do governo Claudemir Borges pela frente...