Notícia

  • Home
  • IDEB DE LEME ACENDE ALERTA: MUNICÍPIO MELHORA, MAS MAIS DA METADE DAS ESCOLAS FICA ABAIXO DA MÉDIA
IDEB DE LEME ACENDE ALERTA: MUNICÍPIO MELHORA, MAS MAIS DA METADE DAS ESCOLAS FICA ABAIXO DA MÉDIA
Jornal Tribuna de Leme | 19/08/2026

IDEB DE LEME ACENDE ALERTA: MUNICÍPIO MELHORA, MAS MAIS DA METADE DAS ESCOLAS FICA ABAIXO DA MÉDIA

Apesar de Leme avançar de 6,6 para 6,7 no Ideb dos anos iniciais, desempenho revela desigualdade entre escolas e forte queda em relação a 2019

O resultado do Ideb 2025 traz uma notícia que, à primeira vista, poderia ser comemorada em Leme. A rede municipal avançou de 6,6, em 2023, para 6,7 em 2025 nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Mas, quando os números são analisados escola por escola, o cenário revela um alerta muito mais preocupante: mais da metade das unidades avaliadas ficou abaixo da média municipal.

Das 19 escolas avaliadas, 10 registraram nota inferior a 6,7, enquanto apenas 9 ficaram acima da média. O resultado expõe uma diferença significativa no desempenho entre as unidades e coloca em discussão a capacidade da rede municipal de garantir aprendizagem de forma equânime para todos os alunos.

O contraste fica ainda mais evidente quando observadas as notas individuais. A EMEB “Profª Salma Elmor Nassif” alcançou 7,8, enquanto a EMEB “Deolinda Conceição dos Santos Meira” e a EMEB “Prof. Paulo Bonfanti” registraram 6,0, uma diferença de 1,8 ponto entre as escolas.

UM RESULTADO QUE MERECE SER ANALISADO

Outro dado chama atenção: segundo o levantamento apresentado, todas as 10 escolas abaixo da média municipal estão localizadas em regiões mais afastadas do centro e, conforme já noticiado pelo Jornal Tribuna de Leme, várias dessas unidades também apresentam demandas de infraestrutura, como manutenção predial, bebedouros, toldos, mobiliário e outros reparos.

A coincidência entre baixo desempenho e maiores demandas estruturais não permite, por si só, estabelecer uma relação direta de causa e efeito. Mas levanta uma questão que não pode ser ignorada: as escolas estão recebendo investimentos e condições de aprendizagem de maneira proporcional às necessidades de seus alunos?

A educação pública precisa ser capaz de reduzir desigualdades, e não reproduzi-las.

LEME PERDE POSIÇÕES NA REGIÃO

No comparativo regional, Leme também não aparece na liderança. Com 6,7, o município ocupa a quarta posição, atrás de Santa Cruz da Conceição, com 7,2; Porto Ferreira e Corumbataí, ambas com 6,8.

O resultado coloca Leme diante de um desafio: melhorar não apenas a média geral, mas principalmente elevar as escolas que estão ficando para trás.

QUEDA EXPRESSIVA EM RELAÇÃO A 2019

A comparação com 2019 é ainda mais preocupante.

Naquele ano, Leme alcançou 6,9 no Ideb. Das 18 escolas avaliadas naquele período, 11 atingiram nota igual ou superior à média municipal.

Considerando as 18 unidades avaliadas tanto em 2019 quanto em 2025, os números apresentados mostram que:

• 11 escolas regrediram;

• 3 permaneceram com o mesmo índice;

• apenas 4 melhoraram.

Na prática, 61,1% das escolas apresentaram queda no Ideb, enquanto somente 22,2% registraram evolução.

Ou seja: embora a rede tenha subido 0,1 ponto em relação a 2023, o retrato histórico revela que o município ainda está distante do desempenho alcançado em 2019.

ROBÓTICA É IMPORTANTE. MAS E O BÁSICO?

É justamente neste ponto que o resultado abre uma discussão necessária sobre as prioridades da política educacional municipal.

Tecnologia, robótica, livros questionáveis e novas metodologias podem contribuir para a formação dos estudantes. Mas nenhuma inovação pode substituir aquilo que é essencial: alfabetização, leitura, escrita, interpretação de texto e matemática bem ensinadas.

Se disciplinas essenciais das diretrizes curriculares foram reduzidas ou reorganizadas para abrir espaço a novas atividades, como as aulas de robótica, os resultados do Ideb tornam legítima a pergunta: as escolhas pedagógicas adotadas estão produzindo o resultado esperado?

Não é possível afirmar, apenas pelos números do Ideb, que a robótica tenha provocado a queda das escolas. Mas é igualmente legítimo questionar se, diante da regressão de 11 das 18 unidades comparáveis, não seria hora de rever prioridades e reforçar aquilo que efetivamente mede a aprendizagem dos alunos.

O ALERTA ESTÁ DADO

O resultado não diminui o trabalho dos professores, coordenadores, diretores e demais profissionais da educação. Pelo contrário. São esses profissionais que, diariamente, enfrentam salas cheias, demandas crescentes e dificuldades estruturais para garantir que as crianças aprendam.

O que os números demonstram é que Leme precisa ir além de comemorar uma pequena alta na média municipal.

É preciso olhar para cada escola, identificar onde estão as dificuldades, corrigir as desigualdades, investir na infraestrutura, valorizar os profissionais e, principalmente, colocar a aprendizagem no centro das decisões da educação municipal.

Porque uma educação de qualidade não pode ser medida apenas pela média da rede.

Se 10 das 19 escolas estão abaixo dela, o problema não está resolvido. O Ideb 2025 não é apenas motivo para comemorar 6,7. É um alerta para perguntar por que tantas crianças ainda estão ficando para trás.

O município e a Secretaria de Educação precisam compreender que, além da disponibilidade de recursos financeiros, é fundamental investir em uma gestão administrativa e pedagógica eficiente. Essa dupla, gestão dos recursos e gestão pedagógica, é essencial para garantir que o investimento se traduza em melhoria da aprendizagem e em bons resultados. Afinal, recursos financeiros existem e o grande desafio está em administrá-los com planejamento, responsabilidade e foco pedagógico.

E, talvez, a principal lição desses números seja simples: antes de buscar novidades, é preciso garantir o essencial.