INDIGNAÇÃO NA EDUCAÇÃO: PROFESSORES REAGEM À POSSÍVEL NOMEAÇÃO DE SECRETÁRIO SEM QUALQUER VÍNCULO COM A ÁREA
A possível nomeação do vereador e advogado, Elias Ferrara, para a Secretaria Municipal de Educação de Leme, ventilada para janeiro de 2026, caiu como uma bomba no meio educacional e provocou revolta entre professores da ativa e aposentados, além de servidores da educação, pais e comunidade. O sentimento predominante é de indignação, frustração e descrédito com a condução da educação na gestão do prefeito Claudemir Borges, que já vinha sendo duramente criticada pelo abandono das escolas e pela condução controversa da pasta.
A educação municipal vive hoje um verdadeiro colapso. Os problemas são visíveis e se acumulam: escolas com infiltrações, paredes rachadas, risco estrutural, falta de acessibilidade, salas mal ventiladas, redes elétricas precárias, pintura inexistente e ausência de manutenção básica. Um cenário de abandono nunca antes visto, que impacta diretamente alunos, professores e toda a comunidade escolar.
Enquanto falta recurso para o essencial, manutenção, infraestrutura e ampliação de vagas, inclusive com déficit já apontado pelo Tribunal de Contas do Estado, sobram gastos em programas considerados ineficientes, como robótica educacional e aquisição de livros a preços considerados exorbitantes. Parte dessas contratações, inclusive, é alvo de ações judiciais e investigações do Ministério Público por possíveis irregularidades no uso do dinheiro público.
Diante desse cenário crítico, a possível indicação de um político sem qualquer formação pedagógica, experiência ou vivência na área educacional é vista por educadores como a “pá de cal” em uma gestão já desacreditada. Para professores ouvidos pela reportagem, trata-se de uma afronta à história da educação lemense e um desrespeito a uma rede que conta com cerca de 1.000 servidores e mais de 11.500 alunos, exigindo sensibilidade, conhecimento técnico e compromisso real com a educação pública.
CÂMARA DIVIDIDA E SILÊNCIO CONSTRANGEDOR
O Jornal Tribuna de Leme ouviu os vereadores do município. O resultado escancara uma Câmara dividida e um comportamento que gerou críticas: enquanto vereadores eleitos se posicionaram com clareza, suplentes que ocupam cadeiras temporariamente preferiram se omitir ou adotar discursos evasivos, numa postura vista como alinhamento político ao Executivo para não perderem seus cargos.
Dos 13 vereadores:
• 5 se posicionaram contra a indicação;
• 6 ficaram “em cima do muro”;
• 2 não responderam ao jornal.
A postura dos suplentes foi duramente criticada nos bastidores, sendo interpretada como reflexo de dependência política do prefeito, já que podem perder o mandato com o retorno dos vereadores eleitos aos seus cargos.
POSICIONAMENTO DOS VEREADORES (síntese)
- David Pedrão – Contra. Afirma que educação exige conhecimento técnico e pedagógico e denuncia falta de rumo, abandono estrutural e desorganização na gestão educacional.
- Airton Cândido – Contra. Defende que vereador eleito deve cumprir o mandato e não se licenciar para assumir secretaria.
- João Cerbi – Contra. Considera um desrespeito ao eleitor e defende que vereador que vá para secretaria deve renunciar ao mandato.
- Coronel João Arrais – Contra. Classifica a indicação como absurda por falta total de conhecimento técnico e critica o uso político de suplentes na Câmara.
- Cíntia Grossklauss – Não se posicionou claramente. Defende acompanhamento, diálogo e avaliação dos resultados antes de qualquer julgamento.
- Cristiano Boff – Em cima do muro. Afirma que a decisão é do Executivo e defende “dar oportunidade”, mantendo apenas o papel fiscalizador.
- Carina Blascke – Evitou posicionamento. Diz acompanhar reclamações, mas ressalta que a escolha cabe ao Executivo.
- Andrea Mondin – Defende cautela. Reconhece insatisfação dos professores, mas argumenta que a secretaria também tem desafios administrativos.
- Nivaldo Cabeludo – Relata muitas reclamações, mas afirma não ter poder de decisão.
- Amarilis Ribeiro – Evitou posicionamento. Diz escolher estar até a presente data como vereadora e cumprindo sua função, independente de quem assuma qualquer pasta.
- Ellan Paixão – Contra. Afirmou ser a favor de pessoas técnicas em locais técnicos.
Não responderam à enquete: Ademir Lopes e Fabiele Bicho Carente.
UM ALERTA PARA O FUTURO
A possível nomeação escancara uma crise mais profunda: a desconexão entre a gestão municipal e a realidade das escolas. Para professores, pais e parte significativa do Legislativo, insistir em indicações políticas, ignorando técnicos e profissionais da área, aprofunda o caos e compromete o futuro de uma geração inteira.
A educação, que deveria ser prioridade absoluta, segue tratada como moeda política, e a conta, como sempre, fica para os alunos, professores e para toda a cidade de Leme.