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JORNAL TRIBUNA DE LEME ENTREVISTA WAGÃO SOBRE A SITUAÇÃO DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL
Jornal Tribuna de Leme | 22/12/2025

JORNAL TRIBUNA DE LEME ENTREVISTA WAGÃO SOBRE A SITUAÇÃO DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL

Diante das inúmeras reclamações de professores, pais de alunos e da comunidade escolar sobre a atual condução da Secretaria Municipal de Educação, o Jornal Tribuna de Leme entrevistou o ex-prefeito Wagão, que também é presidente do diretório municipal do PSD, para avaliar o cenário atual da educação em Leme, os investimentos realizados nos últimos anos e a polêmica indicação do novo secretário da pasta.

JORNAL: WAGÃO, O SENHOR TEM ACOMPANHADO A SITUAÇÃO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO ATUALMENTE E QUAL SUA OPINIÃO SOBRE A CONDUÇÃO DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL?

WAGÃO: Sim, tenho acompanhado de perto e confesso que é motivo de grande preocupação. As reclamações são muitas e vêm de todos os lados: professores, pais, alunos e servidores. Falta investimento em infraestrutura escolar, falta investimento pedagógico e, pior: falta até o básico. Estamos falando de situações em que escolas ficaram sem papel higiênico, sem papel sulfite, sem materiais de uso contínuo.

Quando você vê escolas com problemas estruturais graves, com infiltrações, rachaduras e paredes correndo risco de cair sobre alunos, fica claro que algo não vai bem. As prioridades foram completamente invertidas. Prédio público deve ser tratado como a nossa casa: se não houver manutenção constante, chega uma hora que o risco de desabar é real. Se não houver um recálculo de rota urgente, infelizmente vamos chegar ao ponto de ver escolas interditadas ou até acidentes graves por falta de manutenção.

JORNAL: O SENHOR FOI O PREFEITO QUE MAIS CONSTRUIU ESCOLAS E CRECHES E AMPLIOU VAGAS. ESSA DEVE SER A PRIORIDADE DA EDUCAÇÃO?

WAGÃO: Sem dúvida. A educação é o alicerce de uma sociedade justa e de uma cidade que quer se desenvolver. Escola e creche precisam estar próximas das famílias, principalmente nos bairros mais afastados da região central. Isso evita deslocamentos longos, facilita a vida das mães e dos pais e garante mais acesso ao ensino.

A prioridade passa por ampliar vagas, levar merenda de qualidade, garantir material e uniforme escolar para todos e oferecer um ensino eficiente, que prepare nossas crianças para o futuro. Educação de qualidade é o principal caminho para o desenvolvimento social e econômico. Cuidar das escolas, ampliar vagas e levar a educação para perto das famílias deve ser sempre prioridade absoluta.

JORNAL: QUAL A DIFERENÇA ENTRE A EDUCAÇÃO NA SUA GESTÃO E A GESTÃO DO PREFEITO CLAUDEMIR BORGES?

WAGÃO: A diferença é clara: gestão e prioridade. Na minha gestão, a educação sempre foi tratada na sua raiz. Se hoje todas as regiões da cidade possuem escolas, é porque fomos nós que construímos o maior número de unidades da história do município. Se hoje há mais vagas, é porque ampliamos diversas escolas.

Foi na nossa gestão que implantamos o uniforme escolar e o material para todos. Criamos um calendário permanente de reformas e ampliações. Investimos em tecnologia, tablets, TVs e ferramentas alinhadas às TICs, sempre como complemento pedagógico.

Hoje, o que se vê é uma gestão que gasta muito e gasta mal. Os recursos são direcionados para o que não é prioridade e não sobra dinheiro para cuidar das escolas e das crianças. Essa é a grande diferença.

JORNAL: HÁ MUITAS RECLAMAÇÕES SOBRE OS GASTOS COM ROBÓTICA. COMO O SENHOR AVALIA ISSO?

WAGÃO: A robótica, quando bem aplicada, é uma ferramenta pedagógica importante. Na nossa gestão, ela foi implantada apenas para os 4º e 5º anos, como complemento, sem retirar matérias básicas da grade curricular. O investimento era de cerca de R$ 2 milhões por ano.

Hoje, esse gasto foi quintuplicado, chegando a quase R$ 10 milhões anuais. Retiraram matérias básicas para colocar mais aulas de robótica e, pior, os resultados foram os piores possíveis. O IDEB ficou abaixo da meta estabelecida. Ou seja, gastou-se cinco vezes mais e o desempenho caiu. Isso sem contar outras compras onde os gastos também dispararam em relação à nossa gestão.

JORNAL: FALTA DINHEIRO OU FALTA GESTÃO NA EDUCAÇÃO MUNICIPAL?

WAGÃO: Falta gestão, prioridade e responsabilidade. Desde que deixei a prefeitura, o Fundeb aumentou, a arrecadação municipal cresceu e, mesmo assim, a efetividade dos investimentos diminuiu.

Com quase R$ 200 milhões a mais no orçamento, você olha a cidade e vê prédios públicos sucateados. A pergunta é: onde está indo esse dinheiro? A resposta é simples: está sendo mal utilizado.

Dou exemplos claros. Na minha gestão, gastamos R$ 1,1 milhão com uniformes escolares. Em 2024, na gestão Claudemir Borges, o custo saltou para R$ 4,1 milhões, um aumento de 265,8%, e muitos pais ainda reclamam da qualidade inferior.

Na merenda escolar, em 2019 durante minha gestão, atendíamos cerca de 21.500 alunos e gastávamos R$ 6,6 milhões. Em 2024, na gestão Claudemir Borges, com cerca de 10 mil alunos a menos, o gasto foi de R$ 16,8 milhões. Como explicar isso?

Somando merenda, robótica e uniforme, são cerca de R$ 20 milhões gastos a mais apenas em 2024. Esse dinheiro daria para reformar inúmeras escolas.

JORNAL: COMO VOCÊ AVALIA A INDICAÇÃO DO VEREADOR ELIAS FERRARA PARA A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO?

WAGÃO: Sou totalmente contrário. É um tapa na cara dos profissionais da educação. Não é uma questão pessoal, mas de respeito à educação municipal.

Vivemos um momento crítico, com escolas abandonadas, falta de manutenção, escassez de materiais, investigações judiciais e desvalorização dos profissionais. Diante disso, indicar um vereador formado em Direito, sem formação pedagógica e sem trajetória na área educacional, é um erro grave.

Essa indicação mostra que a educação municipal está à deriva e reforça a percepção de que ela deixou de ser prioridade na gestão atual. Quem paga o preço são as crianças e as famílias lemenses.

JORNAL: QUAL DEVERIA SER O PERFIL DO NOVO SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO?

WAGÃO: Um educador, claro! Temos quase mil profissionais ativos na rede municipal, além de profissionais da rede estadual e aposentados com vasta experiência. Será que não existe ninguém capacitado para assumir a pasta?

O perfil precisa ser técnico e ter autonomia. É preciso revisar contratos absurdos, reduzir custos desnecessários e investir onde realmente importa: reformas, ampliações, vagas nos bairros, investimento pedagógico, formação continuada e valorização dos professores.

Ainda dá tempo de corrigir o rumo. Basta vontade política.

JORNAL: PARA ENCERRAR, AGRADECEMOS SUA DISPONIBILIDADE. QUE MENSAGEM O SENHOR DEIXA À POPULAÇÃO DE LEME NESTE PERÍODO DE NATAL E ANO NOVO?

WAGÃO: Quero, antes de tudo, agradecer ao Jornal Tribuna de Leme pelo espaço e à população lemense pela atenção. O Natal é um momento de reflexão, de união e de renovação da fé. Que possamos olhar para o próximo com mais empatia, solidariedade e respeito, valores tão necessários nos dias de hoje.

Que o Ano Novo traga esperança, saúde, paz e novas oportunidades para cada família de Leme. Seguiremos acreditando na nossa cidade, trabalhando com responsabilidade e amor por Leme, sempre desejando um futuro melhor para o nosso povo. Que 2026 seja um ano de conquistas, de reconstrução de prioridades e de dias melhores para todos.