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ODONTOLOGIA TEM PAPEL ESTRATÉGICO NA IDENTIFICAÇÃO PRECOCE DA MPOX
Jornal Tribuna de Leme | 04/08/2026

ODONTOLOGIA TEM PAPEL ESTRATÉGICO NA IDENTIFICAÇÃO PRECOCE DA MPOX

Especialista do CROSP explica como reconhecer manifestações bucais da doença e reforça medidas de prevenção

Lesões na boca podem ser uma das manifestações clínicas da Mpox e, em alguns casos, representar um dos primeiros sinais da infecção. Por isso, o cirurgião-dentista desempenha papel importante na identificação precoce da doença, na orientação dos pacientes e na adoção de medidas que contribuem para interromper a cadeia de transmissão.

Segundo dados do Ministério da Saúde, até março de 2026 foram registrados 140 casos de Mpox no Brasil. De acordo com o membro da Câmara Técnica de Estomatologia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. José Narciso Rosa Assunção Junior, a Mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus mpox (MPXV). Inicialmente considerada uma zoonose, atualmente a transmissão entre pessoas é a principal forma de disseminação da doença.

"O quadro clínico costuma incluir febre, aumento dos linfonodos, mal-estar e lesões na pele e nas mucosas, inclusive na cavidade oral", explica o especialista.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões de pele ou mucosas de pessoas infectadas, além da exposição a fluidos corporais e secreções respiratórias durante contato próximo e prolongado.

"A transmissão também pode ocorrer por meio de objetos contaminados, como roupas, toalhas e roupas de cama, além da transmissão da gestante para o feto. Qualquer contato físico direto com lesões infectadas, por mínimo que seja, pode representar risco de infecção", esclarece o Dr. Narciso.

Prevenção: Entre as principais medidas preventivas estão evitar contato direto com pessoas que apresentem lesões suspeitas, higienizar frequentemente as mãos, não compartilhar objetos de uso pessoal e utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) quando houver risco de exposição.

"Na maioria das pessoas, a Mpox apresenta evolução autolimitada, ou seja, se resolve espontaneamente em poucas semanas. Porém, em indivíduos com imunidade baixa, gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas, a doença pode desenvolver formas mais graves, como infecções secundárias, comprometimento ocular, pneumonia e desidratação", orienta o membro da Câmara Técnica de Estomatologia do CROSP.

O impacto da Mpox na saúde bucal: Segundo o especialista, o cirurgião-dentista pode ser um dos primeiros profissionais de saúde a identificar manifestações da doença na cavidade oral, contribuindo para o diagnóstico precoce, o encaminhamento adequado do paciente e a redução da transmissão.

As lesões podem se manifestar como feridas, úlceras, bolhas ou vesículas com pus nos lábios, bochechas, gengivas, língua e garganta. Além do desconforto local, essas alterações podem causar dor, dificuldade para engolir, prejuízos na alimentação, na comunicação e na higiene bucal.

"O cirurgião-dentista deve manter rigorosamente as medidas de biossegurança durante o atendimento, utilizando os equipamentos de proteção individual adequados. Também faz parte da atuação do profissional orientar o paciente sobre higiene bucal, prevenir infecções secundárias e acompanhar a cicatrização das lesões", reforça Dr. Narciso.

Fonte e foto: CROSP