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PODEMOS MAIS
Jornal Tribuna de Leme | 21/10/2026

PODEMOS MAIS

“Riqueza sem trabalho; prazer sem consciência; conhecimento sem caráter; comércio sem moralidade; ciência sem humanidade; religião sem sacrifício; política sem princípios.” — Sete pecados sociais divulgados por Mahatma Gandhi, em 1925.

Uns preferem o vermelho; outros, o azul ou o verde. Qual dessas cores é a mais bonita? A resposta depende dos olhos de quem vê. Imagine se todos tivessem os mesmos gostos, repetissem as mesmas ideias e concordassem sobre tudo. O mundo talvez tivesse menos discussões, mas também perderia boa parte de sua criatividade, riqueza e encanto. A diversidade de pensamentos nos torna singulares. O problema não está em discordar, mas na maneira como tratamos quem pensa diferente. Uma convicção pode ser uma ponte para o diálogo ou um muro que nos afasta. Defender nossas ideias não exige diminuir as dos outros; respeitar alguém não significa renunciar ao que acreditamos. Precisamos aprender a separar as pessoas de suas ideias, os princípios dos interesses e as promessas das realizações. Não precisamos concordar em tudo, mas precisamos compreender que o futuro é uma construção coletiva.

CONVIVER

Nos churrascos que fazemos. um dos nossos amigos é vegetariano, e, nunca falta aos churrascos. Ele não vai pela carne, mas pela amizade. Preparamos uma bela lasanha de queijo e uma salada generosa, e todos compartilham a mesma mesa. Essa pequena cena ensina uma grande lição: conviver não é exigir que o outro seja igual a nós, mas abrir espaço para que ele seja quem é. Ser firme nos valores é diferente de ser radical nas atitudes. A firmeza sabe explicar; o radicalismo, muitas vezes, só deseja vencer. Nas redes sociais, opiniões chegam prontas, embaladas por frases de efeito e disputas que transformam diferenças em inimigos. Antes de compartilhar uma indignação, vale perguntar: conheço os fatos? Ouvi outros argumentos? Estou procurando a verdade ou apenas confirmação para aquilo em que já acredito? Questionar as próprias convicções não é fraqueza: é maturidade. Mudar de opinião diante de novas evidências pode ser um sinal de crescimento. Afinal, por que insistir no vermelho se, depois de aprender e refletir, o azul passou a fazer mais sentido? Uma mente aberta não aceita tudo indiscriminadamente; ela examina, compara e decide com consciência.

POLÍTICA

Na política, essas perguntas ganham ainda mais importância. De que lado estamos: de uma sigla, de um líder, de um benefício imediato ou do bem comum? Não basta admirar discursos, músicas de campanha ou promessas. É preciso observar propostas, histórico, coerência entre palavras e atitudes, respeito às instituições e consequências das decisões. O que parece vantajoso hoje pode custar caro às próximas gerações. Aristóteles ensinava, em sua obra Política, que o ser humano é, por natureza, um ser político. Isso nos lembra que a vida em sociedade depende de escolhas que ultrapassam os interesses individuais. A política, em seu sentido mais digno, deve servir à organização da vida coletiva, e não transformar vizinhos, amigos e familiares em adversários permanentes. Quantas amizades já foram abaladas por discussões nas quais ninguém escutava ninguém? Às vezes, esquecemos o assunto original e passamos a defender apenas o orgulho de ter razão. Nesses momentos, todos perdem. A verdadeira coragem pode estar em ouvir, reconhecer um equívoco, fazer uma pergunta honesta ou encerrar uma conversa com respeito. O país que desejamos não começa nas urnas, nos partidos ou nos discursos. Começa em nossas escolhas diárias, na maneira como tratamos quem discorda de nós, na honestidade com que agimos e na coragem de reconhecer nossos próprios erros.

NA PRÁTICA

Talvez a pergunta mais importante não seja “quem está do meu lado?”, mas “a favor de que estou disposto a agir?”. Podemos buscar o melhor das diferentes ideias sem abandonar nossos princípios. Justiça, dignidade, honestidade, responsabilidade e respeito não precisam ter cor partidária. São compromissos que devemos cobrar dos outros e praticar em nossa própria vida. No fim, não é necessário puxar a corda uns contra os outros. Podemos unir forças naquilo que melhora a vida de todos. Antes de escolher um lado, vale escolher a consciência. Antes de tentar mudar o mundo, vale examinar o que alimentamos em nossa mente e revelamos em nossas atitudes. Um mundo melhor não começa quando todos passam a pensar como você. Começa quando você aprende a conviver, respeitar, questionar e agir com consciência. Um mundo melhor começa em VOCÊ.

Deoclídio Ferrareto, empresário na área contábil, proprietário do Escritório Ferrareto, Bacharel em Ciências Contábeis, Tesoureiro da Associação Comercial e Industrial de Mococa, Terapeuta Comportamental pelo Instituto Albuquerque e Instrutor MasterMind autorizado pela Fundação Napoleon Hill (EUA).

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