QUANDO A BOA AÇÃO VIRA PALCO PARA O “EU FIZ”
Há causas nobres demais para serem transformadas em palco para autopromoção. Ajudar quem enfrenta uma situação crítica deveria nascer da consciência, da solidariedade e do compromisso com o próximo, e não da necessidade de registrar, publicar e anunciar aos quatro cantos o famoso “eu fiz”.
Quando a exposição de quem está vulnerável se torna mais importante do que a própria ajuda, a solidariedade corre o risco de perder sua essência e dar lugar a um sensacionalismo lamentável.
O velho ensinamento de que “o que a mão direita faz, a esquerda nem precisa saber” continua extremamente atual. Quem faz o bem não precisa transformar cada gesto em espetáculo, muito menos utilizar a fragilidade alheia como cenário para conquistar aplausos, curtidas ou reconhecimento.
Existem atitudes que falam muito mais alto quando praticadas com discrição, respeito e dignidade. Fazer o certo já deveria ser suficiente — porque solidariedade verdadeira não precisa de plateia.