QUANDO O PODER USA DITADOS PARA FUGIR DA RESPONSABILIDADE
É preocupante perceber que velhos ditados como “larguei de mão” e “quem pode mais chora menos” passaram a ser usados com frequência por autoridades municipais. Expressões desse tipo, que carregam um tom de descaso e superioridade, tornam-se ainda mais graves quando vêm de quem ocupa cargos públicos. Afinal, não se trata apenas de palavras soltas, mas de mensagens que revelam falta de preparo, de equilíbrio e de respeito com quem realmente importa: a população.
Quando um representante do povo utiliza essas frases, o resultado é um sentimento generalizado de repúdio. Soa como desequilíbrio total da situação — ou até como uma ameaça velada. Em vez de dialogar, explicar, resolver ou assumir responsabilidades, opta-se por um discurso que afasta e intimida. Em vez de acolher demandas legítimas, devolve-se indiferença. Em vez de liderança, mostra-se arrogância. Isso mina a confiança e mancha a imagem da gestão pública.
Autoridades municipais existem para servir, orientar e garantir que os direitos da população sejam respeitados. Não é aceitável que, diante de problemas ou reivindicações, o cidadão “seja largado de mão”.
O poder público deve ser exemplo de equilíbrio, transparência e compromisso — e não se esconder atrás de ditados que reforçam abuso de autoridade e desprezo pela sociedade que sustenta suas funções.
Mais claro que isso, só desenhando!
Sandra Kauffmann