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REDES SOCIAIS IMPACTAM EM DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS
Jornal Tribuna de Leme | 14/10/2025

REDES SOCIAIS IMPACTAM EM DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS

Com a popularidade das redes sociais, diversos assuntos ganharam destaque nessas mídias. Os usuários acabam realizando auto diagnósticos de casos e transtornos relacionados à saúde mental. Criadores de conteúdo produzem material indicando supostas características e sintomas de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção/ Hiperatividade (TDAH) e outros quadros.

Segundo dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) e do Datafolha, pessoas entre 16 e 24 anos são 52,7% dos interessados que buscam por diagnóstico na internet.

A psicóloga Taynan Soares, especialista em neuropsicologia pelo Hospital das Clínicas, explica que com a popularização das redes sociais, junto do acesso facilitado às informações (mesmo que incorretas), as pessoas têm cada dia mais tentado se autodiagnosticar via internet. A população tem utilizado as redes sociais como ferramentas para sanar dúvidas e acabam tirando conclusões sem o aval de um profissional especialista.

“Um vídeo de 30 segundos contendo uma lista de sintomas generalistas ou um post alarmista alegando que determinados comportamentos referem a um diagnóstico específico não são ferramentas precisas para confirmar se alguém tem um transtorno ou não, se autodiagnosticar e uma prática danosa que ocasiona o adiamento de tratamentos adequados”, esclarece Taynan Soares.

A neuropsicóloga faz um alerta para quem desconfiar ter algum transtorno: identificar sintomas que estejam atrapalhando a sua rotina, pesquisar por um profissional que cuide da saúde mental, como psicólogo, neuropsicólogo e psiquiatra. Além disso, é importante que o paciente entenda a demanda a que cada profissional irá corresponder.

No caso do psicólogo, irá atuar no acolhimento, escuta terapêutica e desenvolvimento de estratégias para enfrentamento das dificuldades. O neuropsicólogo realizará uma investigação de questões cognitivas e aspectos da personalidade do paciente - O processo avaliativo consiste em um mapeamento detalhado do funcionamento cognitivo atual. Dessa forma, o profissional consegue identificar habilidades bem desenvolvidas e as que possivelmente estão causando prejuízos na vida do paciente. E o psiquiatra ajuda no controle dos sintomas, podendo intervir com medicações específicas com base no diagnóstico do indivíduo.

Os conteúdos publicados em redes sociais devem ser respaldados por profissionais, abordar informações cientificamente comprovadas em relação à saúde mental e tratar com cautela temas voltados aos transtornos mentais. Também é imprescindível respeitar as orientações do Código de Ética do Psicólogo e das Notas Técnicas do Conselho Federal de Psicologia (CFP).

“A avaliação neuropsicológica, além de uma excelente ferramenta de elucidação diagnóstica, também serve como fonte de autoconhecimento, logo, qualquer pessoa que tiver interesse em saber mais sobre si pode buscar por esse tipo de serviço ao invés de apenas olhar sinais e sintomas online”, reforça a especialista.

Antes de contratar qualquer serviço, confira os dados do profissional escolhido, como número de registro no conselho de classe, nível de conhecimento para realizar um diagnóstico confiável e opiniões de quem já foi atendido.

Fonte: Taynan Soares – Neuropsicóloga