SAÚDE EM MODO IMPROVISO? FECHAMENTO DA UBS SUMARÉ PARA INAUGURAR UBS ANGÉLICA LEVANTA DÚVIDAS SOBRE PLANEJAMENTO DA GESTÃO CLAUDEMIR BORGES
Sem novos profissionais, moradores perdem unidade de saúde do bairro e passam a percorrer maior distância para atendimento; vereador questiona ausência de planejamento e cobra explicações.
O que foi apresentado pela Prefeitura de Leme como um avanço na rede municipal de saúde tem gerado forte insatisfação entre moradores da Vila Sumaré e bairros vizinhos. A decisão de encerrar os atendimentos da UBS Sumaré e transferir toda a equipe para a recém-inaugurada UBS do Jardim Angélica tem levantado questionamentos sobre o planejamento da gestão municipal e, principalmente, sobre a falta de profissionais na saúde pública.
A principal reclamação da população é simples: a cidade ganhou uma unidade nova, mas não ganhou mais atendimento.
Na prática, segundo os relatos dos moradores, apenas mudou o endereço onde os mesmos profissionais trabalham.
Enquanto o prefeito Claudemir Borges comemorou a inauguração da nova UBS do Jardim Angélica, centenas de pacientes da região do Sumaré passaram a enfrentar deslocamentos maiores para conseguir atendimento médico.
Entre os mais prejudicados estão idosos, gestantes, pessoas com mobilidade reduzida e mães que dependem do acompanhamento constante de filhos com deficiência ou outras necessidades especiais.
Para essas famílias, o acesso à saúde ficou mais distante.
REFORMA ANUNCIADA, MAS SEM PROJETO
Segundo o prefeito Claudemir Borges, em entrevista, a UBS Sumaré será demolida para dar lugar a uma nova unidade de saúde.
Entretanto, até o momento, não há informações públicas sobre projeto executivo de engenharia, previsão orçamentária específica para a obra, processo licitatório em andamento ou cronograma oficial para início da construção.
Sem essas etapas concluídas, moradores passaram a questionar quanto tempo permanecerão sem uma unidade de saúde em seu próprio bairro.
O RECEIO NÃO É PEQUENO
A própria UBS do Jardim Angélica levou aproximadamente 15 meses entre o início da obra e sua inauguração.
Já a UBS Nelma, no Jardim Amália, teve um prazo ainda maior, sendo entregue cerca de dois anos e quatro meses após o início da construção.
Diante desse histórico, cresce a preocupação de que o fechamento anunciado como "temporário" possa se estender por um longo período.
FALTA DE PROFISSIONAIS?
Outro ponto que chama atenção é que, até o momento, não foram anunciadas contratações significativas de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais especificamente para a UBS Jardim Angélica.
Para críticos da medida, isso reforça a percepção de que a nova unidade foi aberta utilizando a equipe que anteriormente atendia a população do Sumaré. Ou seja, em vez de ampliar a capacidade da rede municipal de saúde, teria ocorrido apenas a transferência dos profissionais de uma unidade para outra.
A consequência prática seria a manutenção da mesma estrutura de atendimento, porém em um novo endereço.
VEREADOR COBRA EXPLICAÇÕES
O vereador e médico ortopedista, Dr. David Pedrão afirmou que solicitou oficialmente informações à Prefeitura para esclarecer a situação.
Segundo ele, a população merece respostas sobre o planejamento adotado.
"Uma nova unidade de saúde sempre é motivo de comemoração. O problema é quando ela não representa ampliação da assistência. Se os mesmos profissionais apenas foram transferidos de um prédio para outro, o cidadão continua tendo a mesma oferta de atendimento, mas agora precisando percorrer uma distância maior", argumenta.
O parlamentar também questiona a ausência de informações sobre a futura obra da UBS Sumaré.
"Até onde foi possível verificar, ainda não há projeto executivo divulgado, licitação ou cronograma oficial da obra. É importante que a população saiba qual será o prazo para voltar a contar com atendimento em seu bairro", afirmou.
HAVIA OUTRAS ALTERNATIVAS?
Na avaliação do vereador, existiam alternativas que poderiam reduzir os impactos para a população.
Entre elas, estaria a locação temporária de um imóvel na própria região do Sumaré para manter o atendimento funcionando enquanto a futura obra fosse executada, preservando o acesso da comunidade aos serviços básicos de saúde.
Outra medida seria a ampliação do quadro de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, permitindo que a UBS Jardim Angélica fosse aberta sem necessidade de desativar outra unidade.
POPULAÇÃO AGUARDA RESPOSTAS
Enquanto a nova unidade inicia seus atendimentos, moradores da Vila Sumaré seguem convivendo com dúvidas que ainda aguardam resposta:
• Quando será publicado o projeto da nova UBS Sumaré?
• Existe recurso orçamentário garantido para a obra?
• Quando será aberta a licitação?
• Qual é o prazo estimado para início e conclusão da construção?
• Quantos novos profissionais foram contratados especificamente para a UBS Jardim Angélica?
• A abertura da nova unidade ampliou efetivamente o número de consultas disponíveis ou apenas redistribuiu as equipes existentes?
Independentemente das respostas, uma preocupação permanece entre os moradores: que o atendimento em saúde seja fortalecido de forma planejada, garantindo acesso, continuidade e qualidade dos serviços prestados à população.
Afinal, inaugurar novos prédios é importante, mas assegurar equipes suficientes e atendimento eficiente é o que faz diferença na vida de quem depende diariamente do sistema público de saúde.