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A SÍNDROME DO PEQUENO PODER - QUANDO POLÍTICOS E APOIADORES CONFUNDEM CARGO PÚBLICO COM PODER ABSOLUTO E NÃO ACEITAM SER COBRADOS
Jornal Tribuna de Leme | 03/11/2026

A SÍNDROME DO PEQUENO PODER - QUANDO POLÍTICOS E APOIADORES CONFUNDEM CARGO PÚBLICO COM PODER ABSOLUTO E NÃO ACEITAM SER COBRADOS

É impressionante como determinados políticos e até mesmo alguns de seus apoiadores demonstram dificuldade em aceitar críticas, questionamentos e cobranças sobre assuntos de interesse público. Parecem esquecer que transparência não é favor, prestar contas não é gentileza e fiscalizar não é perseguição, mas um direito da população. Quando situações são apresentadas com documentos, provas e informações verificáveis, o que se espera de quem ocupa um cargo público é uma resposta clara, objetiva e fundamentada. Entretanto, há quem prefira atacar quem questiona, tentar descredibilizar a imprensa, distorcer os fatos e criar narrativas que, muitas vezes, entram em contradição com suas próprias declarações. Afinal, se tudo está correto, por que tanta dificuldade em esclarecer? Por que atacar quem apresenta os fatos em vez de responder aos questionamentos?

Essa postura revela aquilo que popularmente conhecemos como “síndrome do pequeno poder”, quando determinadas pessoas passam a acreditar que um cargo, uma função ou a proximidade com quem governa lhes concede autoridade para intimidar, desrespeitar ou tentar silenciar quem pensa diferente. Esquecem-se de um detalhe fundamental: cargos políticos são temporários, não representam propriedade particular de ninguém e muito menos garantem superioridade sobre qualquer cidadão. O poder público pertence ao povo, e quem ocupa uma função política tem o dever de trabalhar em benefício da coletividade, independentemente de concordar ou não com as críticas recebidas. Mandatos começam e terminam, governos passam, mas as atitudes, as palavras e a maneira como cada um trata a população permanecem registradas. Humildade, respeito e responsabilidade deveriam acompanhar qualquer pessoa que se dispõe a exercer uma função pública.

E fica um alerta importante: liberdade de expressão não significa liberdade para fazer acusações falsas, ofender a honra ou atribuir fatos a alguém sem apresentar provas. Dependendo das circunstâncias, ataques e acusações infundadas podem resultar em responsabilização judicial, inclusive nas esferas cível e criminal. Afinal, quem acusa também precisa estar preparado para sustentar suas afirmações diante da Justiça. É muito fácil tentar desqualificar pessoas por meio de comentários, insinuações e ataques, mas será que existe a mesma disposição para apresentar provas quando elas forem exigidas?

O Jornal Tribuna de Leme continuará exercendo seu papel de informar, questionar e cobrar esclarecimentos, sempre com responsabilidade e compromisso com os fatos. Não confundam fiscalização com perseguição, independência com oposição ou questionamentos com ataques pessoais. E, principalmente, não confundam o cargo que ocupam hoje com um poder que lhes pertencerá para sempre. Porque o cargo passa, mas a responsabilidade pelos próprios atos e palavras permanece!