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ENTREVISTA NA ÍNTEGRA: WAGÃO CONCEDE ENTREVISTA AO JORNAL TRIBUNA DE LEME E FALA SOBRE LEME E A POLÍTICA LOCAL
Jornal Tribuna de Leme | 28/06/2026

ENTREVISTA NA ÍNTEGRA: WAGÃO CONCEDE ENTREVISTA AO JORNAL TRIBUNA DE LEME E FALA SOBRE LEME E A POLÍTICA LOCAL

O Jornal Tribuna de Leme procurou Wagão, para conceder entrevista após sua participação em podcast e resposta em vídeo do prefeito Claudemir Borges. Wagão comentou sobre vários temas relacionados a cidade, a gestão e aos problemas enfrentados pela população diariamente. Confiram:

JORNAL: O prefeito Claudemir Borges afirmou que as festas realizadas em Leme são tradicionais e que sempre existiram, dizendo que as próximas administrações também continuarão promovendo esses eventos. Como o senhor vê essa situação?

WAGÃO: Eu também reconheço que muitas dessas festas são tradicionais e fazem parte da história da cidade. O problema nunca foi realizar eventos para a população. O problema são os valores que estão sendo gastos.

Vou dar alguns exemplos. Nos últimos anos, o Natal chegou a consumir quase R$ 1 milhão. A Educaipira tem um custo estimado em aproximadamente R$ 500 mil. Agora, a Prefeitura publicou uma licitação com previsão de quase R$ 5 milhões apenas para aluguel de tendas.

Se somarmos esse valor com gastos com palcos, sistemas de som, banheiros químicos, shows e toda a estrutura necessária para esses eventos, estamos falando de mais de R$ 10 milhões destinados a festas.

E é justamente aí que entra a discussão: quais são as prioridades da cidade?

Enquanto isso, a população reclama da falta de médicos, da demora para exames e cirurgias, das ruas cheias de buracos, da necessidade de recapeamento, de escolas precisando de manutenção e de tantos outros problemas que afetam o dia a dia das pessoas.

Outro ponto importante é esclarecer uma informação que muitas vezes é divulgada de forma equivocada. Alguns dizem que "o dinheiro da Cultura só pode ser gasto com Cultura". Isso não é exatamente assim.

Grande parte desses eventos é financiada com recursos do Tesouro Municipal, ou seja, dinheiro arrecadado com impostos como IPTU, ISSQN, ITBI, IPVA, ICMS, FPM, e outras receitas próprias do município. Respeitadas as aplicações mínimas obrigatórias previstas na Constituição para áreas como Saúde e Educação, o Município possui margem para definir onde aplicará boa parte desses recursos, conforme as prioridades estabelecidas no orçamento, portanto, é decisão do prefeito se gasta em saúde ou gasta em festas.

Inclusive, basta analisar a Lei Orçamentária Anual dos últimos anos. Verifica-se que a dotação inicial da Secretaria de Cultura foi sendo ampliada por meio de suplementações ao longo do exercício, indicando que o orçamento originalmente previsto não era suficiente para custear todos os eventos realizados.

Por isso, a discussão não é se a cidade deve ou não fazer festas. A pergunta é outra: os valores gastos são compatíveis com a realidade do município? Em um momento em que faltam investimentos em áreas essenciais, acredito que é legítimo discutir se parte desses recursos poderia ser destinada para melhorar a saúde, recuperar o asfalto, reformar escolas e investir em serviços que impactam diretamente a qualidade de vida da população.

 

JORNAL: O prefeito Claudemir Borges afirmou que os pedidos da Secretaria de Saúde para contratação de médicos e outros profissionais dependem da análise do orçamento e disse que "teria que existir outra Leme para pagar essa conta". Como o senhor enxerga essa situação?

WAGÃO: Eu respeito a preocupação com o equilíbrio das contas públicas. Todo gestor precisa administrar o orçamento com responsabilidade. Mas também é preciso olhar para a realidade vivida pela população.

Basta conversar com quem utiliza a saúde pública para perceber que as reclamações sobre demora em consultas, exames e cirurgias são frequentes. Além disso, é comum acompanhar nas sessões da Câmara vereadores de diferentes posições políticas apresentando indicações pedindo a contratação de médicos e outros profissionais. Quando essas solicitações vêm da população, dos vereadores e até da própria Secretaria de Saúde, isso demonstra que existe uma demanda concreta por reforço na equipe.

Outro exemplo aconteceu recentemente. Depois que publiquei nas minhas redes sociais imagens da Farmácia Municipal mostrando a grande fila de espera, recebi mensagens de servidores dizendo que há bastante tempo pedem mais funcionários para melhorar o atendimento. Ou seja, são os próprios profissionais da rede relatando que a estrutura atual precisa ser ampliada.

Por isso, acredito que a cobrança feita pelo vereador Dr. David Pedrão é legítima. Cabe ao Legislativo fiscalizar e questionar quando a própria Secretaria de Saúde informa que encaminhou pedidos de contratação e esses pedidos ainda dependem de autorização administrativa. Inclusive, segundo reportagem divulgada pelo Jornal Tribuna de Leme, esses memorandos apontam a necessidade de novos profissionais e aguardavam análise do Executivo.

Quando se fala em orçamento, também é importante observar o conjunto das contas públicas. O próprio prefeito encaminhou recentemente um projeto informando que a despesa com pessoal do município está em torno de 42% da Receita Corrente Líquida, abaixo do chamado limite prudencial previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de 51,3% para os municípios. Se esses números refletem a situação financeira atual, existe espaço para discutir quais devem ser as prioridades da administração.

O debate, portanto, não é apenas se há dinheiro ou não. A pergunta principal é: quais áreas o governo escolhe priorizar? Na minha opinião, quando a população enfrenta dificuldades para conseguir atendimento médico, fortalecer a saúde deve estar entre as prioridades do orçamento público.

 

JORNAL: O prefeito Claudemir Borges afirmou que as cobranças feitas pelo vereador Dr. David Pedrão sobre a contratação de médicos seriam motivadas pelo fato de o irmão dele ser médico e que ele estaria tentando beneficiá-lo. O senhor concorda com essa avaliação?

WAGÃO: Não. Na minha opinião, os fatos mostram exatamente o contrário.

O papel de um vereador é legislar, fiscalizar e cobrar melhorias para a população. E, nesses primeiros 18 meses de mandato, o Dr. David Pedrão tem exercido esse papel de forma muito ativa. Basta olhar os resultados: ele já articulou a conquista de R$ 500 mil para a saúde e outros R$ 600 mil estão em fase de formalização de convênio para um novo espaço de lazer no Jardim Empyreo. Ao todo, são R$ 1,1 milhão em recursos viabilizados para o município.

Além disso, ele está presente nos bairros, conversa com a população, apresenta indicações, requerimentos, fiscaliza obras e acompanha de perto os problemas da cidade. É um mandato que tem gerado resultados concretos.

Também é importante lembrar que ele continua exercendo sua profissão como médico. Atende normalmente no CMI, cumpre sua jornada de trabalho e mantém seu consultório. Isso demonstra compromisso tanto com a Medicina quanto com a função de vereador.

Sobre a afirmação envolvendo o irmão dele, acredito que seja importante separar os fatos das versões. Pelo que é de meu conhecimento, o Dr. Leonardo já é médico concursado do Município, atuando na rede municipal. Não tenho conhecimento de que ele tenha sido contratado pelo CISMETRO, razão pela qual essa informação, se realmente foi dita, merece ser esclarecida.

Além disso, o currículo do Dr. Leonardo é público. Trata-se de um médico ortopedista especializado em cirurgia de ombro e cotovelo, com formação complementar, participação em congressos e cursos de atualização, além de integrar entidades da especialidade. Independentemente de qualquer vínculo familiar, sua trajetória profissional pode ser avaliada por seus próprios méritos.

Na política, infelizmente, é comum que quem fiscaliza e cobra passe a ser alvo de críticas e ataques pessoais. O importante é que o debate permaneça centrado nas questões que realmente interessam à população: melhorar a saúde, reduzir as filas, contratar profissionais quando necessário e oferecer um atendimento digno aos cidadãos.

No fim das contas, acredito que a população está muito mais preocupada em saber quando vai conseguir uma consulta ou um exame do que com disputas políticas. É nisso que todos deveriam concentrar seus esforços.

 

JORNAL: O prefeito Claudemir Borges afirmou que a atual gestão possui mais profissionais na saúde do que durante o seu governo e que houve um aumento de cerca de 150 servidores na área. Como o senhor avalia essa afirmação?

WAGÃO: Se realmente houve esse aumento no número de profissionais, a pergunta que a população faz é muito simples: por que as reclamações sobre a saúde continuam crescendo?

Todos os dias vemos pessoas reclamando da demora em conseguir consultas, exames, cirurgias e até atendimento nas unidades de saúde. Se a estrutura aumentou tanto, o resultado deveria aparecer na ponta, para quem utiliza o serviço.

Outro ponto importante é entender onde esses profissionais estão atuando. Existem relatos de servidores concursados para determinadas funções que atualmente exercem atividades diferentes daquelas para as quais ingressaram no serviço público. Se isso acontece, é importante que a Prefeitura esclareça quantos casos existem e qual o impacto disso na prestação dos serviços de saúde.

O prefeito também afirmou que contratou dezenas de médicos por meio do CISMETRO. Se esses profissionais estão efetivamente reforçando a rede, a população espera que isso se reflita na redução das filas e na ampliação do atendimento.

Ao mesmo tempo, dados divulgados pela própria administração mostram que a cobertura da Atenção Básica ainda não alcança toda a população do município. Isso indica que ainda há espaço para ampliar equipes e fortalecer a Estratégia Saúde da Família.

Também é público que existem procedimentos de apuração conduzidos pelos órgãos competentes relacionados ao cumprimento da jornada de trabalho de alguns profissionais da saúde. É importante destacar que essas investigações ainda estão em andamento e cabe às autoridades esclarecer os fatos, garantindo o devido processo legal e a ampla defesa de todos os envolvidos.

O que eu defendo é algo muito simples: menos discussão sobre números e mais resultados para a população. O cidadão quer conseguir marcar uma consulta com rapidez, fazer seus exames no tempo adequado, ter médicos suficientes nas unidades e receber um atendimento de qualidade.

Se os números apresentados pela Prefeitura são corretos, eles precisam se traduzir em melhoria efetiva no serviço prestado. E essa é a percepção que, hoje, muitos moradores dizem ainda não sentir no dia a dia.

 

JORNAL: Wagão, essa investigação envolvendo médicos da rede pública de saúde pode resultar em alguma punição? O senhor acredita que todos os médicos estão envolvidos?

WAGÃO: Primeiro, é importante deixar claro que não estamos falando da classe médica como um todo. A grande maioria dos médicos trabalha com dedicação e merece todo o nosso respeito.

Pelo que foi divulgado até o momento, existem investigações e procedimentos administrativos envolvendo um número específico de profissionais. Como qualquer cidadão, eles têm direito à ampla defesa e ao contraditório, e caberá ao Ministério Público e à sindicância da Prefeitura apurar os fatos e decidir se houve ou não alguma irregularidade.

Agora, se as irregularidades forem comprovadas, a resposta precisa ser firme. Quem recebe recursos públicos tem a obrigação de cumprir integralmente sua jornada de trabalho e prestar o serviço para o qual foi contratado. Se houver comprovação de descumprimento dessas obrigações ou de pagamentos indevidos, a legislação prevê a adoção das medidas administrativas, civis e, quando cabível, criminais.

O que não pode acontecer é a investigação ficar sem conclusão. A população merece uma resposta, seja para confirmar que tudo estava correto ou, caso sejam encontradas irregularidades, para responsabilizar quem eventualmente tenha agido em desacordo com a lei.

Outro ponto que considero importante é a discussão sobre o Prêmio de Produtividade Médica (PPM). A finalidade desse incentivo é premiar o cumprimento de metas de atendimento. Se existem dúvidas sobre a forma como esse pagamento vem sendo realizado ou sobre o cumprimento dos critérios estabelecidos, isso também precisa ser esclarecido com total transparência.

Inclusive, é de conhecimento público que o próprio Executivo chegou a encaminhar à Câmara um projeto propondo alterações relacionadas ao PPM, que posteriormente foi retirado de tramitação. Isso demonstra que o tema já vinha sendo discutido dentro da própria administração e reforça a importância de esclarecer como funciona o controle dessas metas e quem autoriza os pagamentos.

No meu entendimento, o mais importante agora é que todas essas questões sejam analisadas de forma técnica e imparcial pelos órgãos competentes. A população quer ter a certeza de que os recursos da saúde estão sendo aplicados corretamente e que cada profissional está cumprindo sua missão de atender bem quem depende do serviço público.

 

JORNAL: O prefeito Claudemir Borges afirmou que a Prefeitura repassa cerca de R$ 70 milhões por ano para a Santa Casa e que isso acaba reduzindo os recursos disponíveis para investir em outras áreas da saúde. Como o senhor avalia essa afirmação?

WAGÃO: Primeiro, é importante esclarecer como funciona essa relação entre a Prefeitura e a Santa Casa, porque muitas pessoas acreditam que a Prefeitura simplesmente "manda dinheiro" para o hospital, e não é exatamente assim.

Na prática, a Prefeitura compra serviços de saúde da Santa Casa para atender a população. Vou dar alguns exemplos.

O município não possui leitos próprios de UTI, então compra esses leitos da Santa Casa. A Prefeitura também não possui um centro cirúrgico próprio para realizar cirurgias, por isso contrata esses procedimentos do hospital. O mesmo acontece com diversos exames especializados que dependem de equipamentos e estrutura que a rede municipal não possui.

Ou seja, não se trata de um repasse sem finalidade. É a contratação de serviços que o Município precisa oferecer à população.

Um exemplo ajuda a entender. Muitas pessoas perguntam por que a Santa Casa não funciona como um pronto-socorro de portas abertas para qualquer atendimento. A resposta é simples: porque esse serviço depende de contratação. Hoje, a Prefeitura compra da Santa Casa principalmente os atendimentos de urgência e emergência mais graves, que exigem estrutura especializada, como acidentes, AVC, infartos e outros casos de alta complexidade.

Se a Prefeitura desejar ampliar esse atendimento para funcionar como um pronto atendimento aberto à população, é possível fazer isso. Mas, para isso, o hospital precisa elaborar um plano de trabalho, demonstrar quantos médicos, enfermeiros e demais profissionais serão necessários e qual será o custo mensal dessa ampliação. A partir daí, cabe ao Município decidir se contratará ou não esse novo serviço.

É como qualquer contratação: se você deseja um serviço adicional, precisa contratá-lo e remunerá-lo.

Outro ponto importante é entender que o financiamento da saúde é dividido entre Município, Estado e União. Cada ente participa do custeio do sistema e pode contratar serviços hospitalares conforme suas responsabilidades.

Pelos números que acompanhei, houve uma mudança na participação do Município ao longo dos últimos anos. Enquanto os recursos estaduais e federais destinados à contratação de serviços hospitalares aumentaram, os recursos próprios do Município destinados a essas contratações diminuíram. Em 2023, a prefeitura comprou R$ 39,3 milhões de serviços da Santa Casa e estado e união juntas compraram R$ 16,4 milhões. Já em 2024, os números mostram que a prefeitura diminuiu a compra desses serviços no hospital, pois o valor do tesouro destinado ao hospital foi de R$ 36,8 milhões, ou seja, R$ 2,5 milhões a menos na compra de serviços do hospital, enquanto estado e união ampliaram a compra com R$ 26,1 milhões, cerca de R$ 10 milhões a mais. Já em 2025, a compra caiu ainda mais, ou seja, a prefeitura com recursos próprios comprou menos que os anos anteriores, apenas R$ 35,6 milhões, são R$ 2,5 milhões a menos que em 2024 e R$ 3,7 milhões a menos que em 2023, enquanto em 2025, estado e união compraram R$ 33,9 milhões. Na minha avaliação, essa redução pode impactar diretamente a oferta de exames, consultas, cirurgias e outros procedimentos disponíveis para a população.

É justamente aí que entra a discussão sobre prioridades.

Na minha opinião, investir mais na compra de serviços de saúde significa ampliar o atendimento para quem está esperando uma consulta, um exame ou uma cirurgia. Da mesma forma, se o Município entender que a cidade precisa de um pronto-socorro funcionando em regime de porta aberta na Santa Casa, esse serviço pode ser contratado, desde que haja planejamento e recursos para isso.

Por isso, o debate não é contra eventos ou atividades culturais. O debate é sobre prioridades do orçamento. Sempre defendi que, diante das dificuldades enfrentadas pela população na saúde, devemos discutir se parte dos recursos destinados a outras despesas poderia reforçar ainda mais o atendimento médico e hospitalar. Essa é uma escolha de gestão e é justamente sobre essas escolhas que a população tem o direito de debater.

 

JORNAL: Wagão, no podcast o senhor afirmou que esta foi a primeira ambulância comprada pela gestão Claudemir Borges com recursos próprios do Município desde 2022. Depois disso, o prefeito divulgou um vídeo dizendo que sua afirmação era falsa e mostrou outras ambulâncias adquiridas durante o mandato. Como o senhor responde?

WAGÃO: Acho que essa discussão mostra como é importante entender um pouco de gestão pública e de orçamento.

Quando fiz essa afirmação, fui muito específico. Eu disse que esta foi a primeira ambulância comprada com recursos próprios do Município, ou seja, com dinheiro do Tesouro Municipal, proveniente de receitas como IPTU, ISSQN, ITBI, IPVA, ICMS e outros impostos arrecadados pela Prefeitura.

As ambulâncias que o prefeito apresentou no vídeo, segundo ele próprio, foram conquistadas junto ao então governador Rodrigo Garcia. Ou seja, ele mesmo reconhece que aqueles veículos vieram por meio de programas ou repasses do Governo do Estado, e não por investimento direto do Tesouro Municipal. É muito comum que municípios recebam ambulâncias por programas estaduais e federais.

São duas formas diferentes de adquirir um bem público: uma é comprar com recursos próprios da Prefeitura; outra é receber veículos financiados por convênios, emendas parlamentares ou programas dos governos estadual e federal.

Esse mesmo raciocínio vale para outras áreas. Grande parte das obras de recapeamento dos últimos anos também contou com recursos de convênios e emendas parlamentares. Na minha opinião, o debate não é se esses recursos são importantes — eles são e devem ser buscados por qualquer administração. A questão é quanto o Município também investe com dinheiro próprio.

E aí volto ao tema das prioridades.

Recentemente foi publicada uma licitação com previsão de quase R$ 5 milhões para locação de tendas destinadas a eventos. Esse é um recurso cuja aplicação é definida pela própria administração municipal dentro do planejamento orçamentário. Na minha avaliação, esse tipo de decisão mostra quais áreas o governo escolhe priorizar.

Sempre defendi que uma parcela maior dos recursos próprios poderia fortalecer áreas essenciais, como saúde, renovação da frota, recapeamento de ruas e manutenção da cidade.

Mas também é importante lembrar que comprar uma ambulância é apenas parte da solução. É preciso garantir motoristas, técnicos de enfermagem, manutenção, combustível e toda a estrutura necessária para que esse veículo realmente funcione e preste um bom atendimento à população.

No fim das contas, mais importante do que discutir quem comprou determinada ambulância é garantir que a população tenha um serviço de saúde eficiente, com veículos funcionando, equipes completas e atendimento de qualidade.

 

JORNAL: “Wagão, obrigado por falar com o nosso Jornal e esclarecer as dúvidas de nossos leitores. Sempre um privilégio debater política e gestão pública com quem tem experiência e entende de fato do assunto”.

 

WAGÃO: Primeiramente, eu agradeço ao Jornal Tribuna de Leme pelo espaço e pela oportunidade de conversar diretamente com a população. Sempre digo que o debate de ideias é saudável para a democracia e que quem exerce ou já exerceu a vida pública precisa estar disposto a prestar contas e explicar seus posicionamentos.

Eu sou um apaixonado por Leme. Nasci aqui, construí minha família aqui e tive o privilégio de administrar esta cidade por vários anos. A minha maior resposta sempre foi o trabalho.

Hoje, praticamente todas as regiões da cidade contam com escolas, unidades de saúde, equipamentos de assistência social, áreas de lazer e infraestrutura construída durante as nossas administrações. Participamos da transformação da Santa Casa, ampliamos o atendimento na saúde, investimos em educação, saneamento, mobilidade, esporte e desenvolvimento econômico. Tudo isso ajudou Leme a crescer, gerar oportunidades e conquistar respeito em toda a nossa região e no Estado de São Paulo.

Quem acompanha minha trajetória sabe que nunca fiz oposição por fazer. Quando elogiar é o correto, eu elogio. Quando acredito que uma decisão precisa ser revista, também faço questão de dizer. Isso não significa torcer contra a cidade, muito pelo contrário. Significa querer que Leme continue avançando.

Sempre que eu entender que determinado caminho pode ser melhor para a população, vou me manifestar. Cabe ao prefeito e à sua equipe analisar as críticas, concordar ou discordar delas. O importante é que o debate aconteça com respeito, responsabilidade e pensando no interesse da população.

Jamais serei omisso diante de situações que considero importantes para o futuro de Leme. A cidade merece um debate sério sobre gestão pública, prioridades e qualidade dos serviços oferecidos à população.

Mais uma vez, agradeço ao Jornal Tribuna de Leme pelo convite, pela oportunidade de esclarecer esses assuntos e desejo um excelente fim de semana a todos os leitores e a toda a população lemense.

Um grande abraço e fiquem com Deus!