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PREFEITO CLAUDEMIR BORGES CORTA QUASE R$ 14 MILHÕES NO PLANEJAMENTO DA SAÚDE ENQUANTO SOBRA DINHEIRO PARA SHOWS E FESTAS NA CIDADE
Jornal Tribuna de Leme | 30/06/2026

PREFEITO CLAUDEMIR BORGES CORTA QUASE R$ 14 MILHÕES NO PLANEJAMENTO DA SAÚDE ENQUANTO SOBRA DINHEIRO PARA SHOWS E FESTAS NA CIDADE

Secretária e equipe técnica expõem dificuldades para manter serviços; transporte de pacientes, Santa Casa e contratação de médicos estão entre as áreas apontadas como afetadas

Uma audiência realizada na Câmara Municipal na noite de segunda-feira, 22 de junho, trouxe à tona um debate que promete repercutir nos próximos meses: a diferença entre o planejamento elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde e os valores efetivamente previstos no orçamento aprovado para a pasta pelo prefeito Claudemir Borges.

Durante a sessão, a Secretária Municipal de Saúde, Lisete Ganéo, e integrantes da equipe técnica detalharam números que, segundo eles, ajudam a explicar parte das dificuldades enfrentadas atualmente pela rede pública de saúde.

As informações apresentadas mostram que diversas áreas consideradas estratégicas pela Secretaria receberam previsão orçamentária inferior aos valores inicialmente estimados pelos técnicos da pasta.

 

TRANSPORTE DE PACIENTES: DIFERENÇA SUPERA R$ 2 MILHÕES

Um dos exemplos apresentados envolve a frota da saúde, responsável pelo transporte de pacientes para consultas, exames e procedimentos realizados em outros municípios.

Segundo os dados apresentados pela equipe técnica, a Secretaria estimou necessidade anual de aproximadamente R$ 3,1 milhões para essa finalidade.

No entanto, o valor aprovado na LOA - Lei Orçamentária Anual ficou em cerca de R$ 1,09 milhão. A diferença supera R$ 2 milhões.

O tema ganha relevância diante das frequentes reclamações envolvendo veículos da saúde e dificuldades no transporte de pacientes para atendimentos fora do município.

ASSISTÊNCIA SOCIAL EM SAÚDE TAMBÉM FOI CITADA

Outro ponto destacado foi o orçamento destinado ao Núcleo de Assistência Social ligado à área da saúde.

O setor é responsável pelo fornecimento de dietas especiais, cadeiras de rodas, fraldas, insumos e outros materiais utilizados por pacientes em situação de vulnerabilidade.

Segundo a apresentação realizada, a necessidade estimada pela Secretaria foi de aproximadamente R$ 3 milhões. O valor previsto no orçamento aprovado ficou em torno de R$ 1 milhão.

SANTA CASA E SERVIÇOS HOSPITALARES

A equipe técnica também apontou diferenças entre os valores planejados para aquisição de serviços hospitalares e os recursos efetivamente previstos na LOA.

Segundo os números apresentados, a Secretaria estimou necessidade superior a R$ 34 milhões para custeio de serviços realizados pela Santa Casa, incluindo internações, cirurgias, exames, leitos e outros atendimentos.

O orçamento aprovado ficou próximo de R$ 31 milhões. A diferença apontada foi superior a R$ 3 milhões.

CISMETRO É O MAIOR GARGALO APONTADO

O tema que mais chamou atenção durante a audiência foi a situação dos contratos realizados por meio do Cismetro.

O consórcio é utilizado para contratação de médicos que atuam em unidades de saúde, especialidades e também no Pronto Atendimento Municipal.

Segundo os dados apresentados pela Secretaria, a necessidade anual estimada para manutenção desses serviços era de aproximadamente R$ 9,6 milhões.

O orçamento aprovado para a finalidade ficou em torno de R$ 3 milhões.

Um corte no orçamento da saúde que ultrapassa R$ 6 milhões.

A preocupação manifestada pela equipe técnica é que essa discrepância possa exigir ajustes orçamentários ao longo do exercício para garantir a continuidade dos serviços e se não ocorrer, a contratação de médicos pode ser interrompida e o que já não é bom, pode ficar ainda pior.

DIFERENÇA CHEGA A QUASE R$ 14 MILHÕES

Somando apenas os exemplos apresentados durante a audiência, os técnicos da Saúde afirmaram que o planejamento da pasta indicava necessidade próxima de R$ 50 milhões.

Já os valores aprovados para essas mesmas áreas ficaram próximos de R$ 36 milhões.

A diferença apresentada supera R$ 13 milhões.

DEBATE SOBRE PRIORIDADES

As informações divulgadas durante a audiência reacenderam um debate recorrente na política municipal: a definição das prioridades do orçamento público.

Enquanto a equipe da Saúde sustenta que determinados serviços demandam mais recursos para funcionar adequadamente, a elaboração da peça orçamentária envolve decisões administrativas que consideram todas as áreas do município e a disponibilidade financeira existente.

Nos últimos meses, opositores da administração têm questionado gastos relacionados a eventos, estruturas temporárias e festividades públicas, citando, entre outros exemplos, a contratação de shows e estruturas para eventos municipais.

Por outro lado, a administração municipal tem defendido a necessidade de equilíbrio fiscal e o controle das despesas com pessoal e custeio da máquina pública.

O QUE A AUDIÊNCIA REVELOU

Independentemente das posições políticas, a audiência trouxe um dado relevante para o debate público: existe uma diferença significativa entre o planejamento técnico apresentado pela Secretaria de Saúde e os valores efetivamente previstos para algumas ações da pasta.

Agora, o desafio da administração será demonstrar como pretende garantir a manutenção dos serviços, reduzir filas, ampliar atendimentos e atender às demandas da população dentro dos limites orçamentários existentes.

Enquanto isso, a população continua aguardando respostas para problemas que afetam diretamente seu dia a dia: consultas, exames, transporte de pacientes, medicamentos e acesso aos serviços de saúde.

E a pergunta que ficou no ar após a audiência é simples: se a própria equipe da Saúde afirma precisar de mais recursos para atender a população, como o município pretende enfrentar os desafios dos próximos meses? Shows e eventos serão cancelados ou a velha política do pão e circo adotado por esta gestão vai continuar?

Aguardaremos as cenas dos próximos capítulos.