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"TEM GENTE ESPERANDO 2 HORAS POR UM REMÉDIO": SECRETÁRIA DIZ QUE QUER LEVAR FARMÁCIAS PARA OS BAIRROS, MAS DEPENDE DE CONTRATAÇÕES DE MAIS PROFISSIONAIS
Jornal Tribuna de Leme | 30/06/2026

"TEM GENTE ESPERANDO 2 HORAS POR UM REMÉDIO": SECRETÁRIA DIZ QUE QUER LEVAR FARMÁCIAS PARA OS BAIRROS, MAS DEPENDE DE CONTRATAÇÕES DE MAIS PROFISSIONAIS

Falta de profissionais impede expansão do serviço, afirma secretária; população enfrenta filas e precisa atravessar a cidade para retirar medicamentos

Enquanto milhares de lemenses enfrentam filas e precisam atravessar a cidade para retirar medicamentos, uma declaração da secretária municipal de Saúde, Lisete Ganéo, durante sessão da Câmara Municipal, trouxe à tona um problema que afeta diretamente a população: a falta de profissionais para ampliar o atendimento farmacêutico no município.

Atualmente, uma cidade com mais de 100 mil habitantes conta basicamente com apenas dois pontos de dispensação de medicamentos da rede municipal, localizados no CS II e no CMI, ambos na mesma região da cidade. O resultado é conhecido por quem depende do Sistema Único de Saúde: deslocamentos longos, espera prolongada e reclamações constantes sobre a demora no atendimento.

"JÁ TEMOS O PROJETO", AFIRMA SECRETÁRIA

Durante sua participação na Câmara, Lisete Ganéo revelou que a Secretaria de Saúde possui planejamento para descentralizar a distribuição de medicamentos e implantar novas unidades de farmácia em outras regiões da cidade.

Segundo a secretária, o objetivo é facilitar o acesso da população aos medicamentos e reduzir a concentração de atendimento em poucos locais.

O problema, porém, estaria na falta de profissionais habilitados para atuar nas novas unidades.

De acordo com a legislação e as normas técnicas da área da saúde, a dispensação de medicamentos exige a atuação de farmacêuticos e técnicos em farmácia, não podendo ser realizada por servidores administrativos sem a qualificação exigida.

PEDIDOS FEITOS, MAS CONTRATAÇÕES NÃO OCORRERAM

Ainda segundo a secretária, a Saúde já formalizou pedidos para contratação de profissionais necessários à ampliação do serviço.

Durante sua fala, Lisete ressaltou que a Secretaria de Saúde não possui autonomia para realizar contratações, cabendo essa decisão ao chefe do Poder Executivo.

A declaração chamou atenção porque, na prática, significa que o projeto de levar farmácias para mais bairros depende da autorização para criação e preenchimento dos cargos necessários ao funcionamento das novas unidades.

Enquanto isso, moradores continuam enfrentando filas que, em determinados dias, ultrapassam horas de espera para retirada de medicamentos de uso contínuo.

FILAS, RECLAMAÇÕES E SOBRECARGA

A situação das farmácias municipais tem sido alvo frequente de reclamações da população.

Usuários relatam demora no atendimento, estrutura limitada e dificuldades para acesso aos medicamentos, especialmente para idosos e pessoas que dependem do transporte público.

Para quem mora nos bairros mais afastados, a necessidade de deslocamento até a região central representa mais um obstáculo no acesso à saúde.

DEBATE SOBRE PRIORIDADES

As declarações da secretária reacenderam o debate sobre prioridades administrativas e gestão de pessoal no município.

Nos últimos anos, projetos encaminhados pelo Executivo promoveram alterações na estrutura administrativa e criaram novos cargos de confiança em diferentes áreas da administração municipal, a grande maioria deles ocupados por políticos, parentes de políticos, apoiadores e muitos sem qualquer formação técnica na área. Segundo apurado, entre os 5 cargos comissionados de Secretário Adjunto criados na gestão do prefeito Claudemir Borges, apenas o de Finanças possui formação técnica na área. Os custos com tais cargos criados dariam para contratar ao menos 14 técnicos em farmácia ou 11 farmacêuticos.

Paralelamente, a Secretaria de Saúde tem relatado dificuldades para ampliar equipes e implementar algumas melhorias consideradas estratégicas para o atendimento da população.

A discussão ganhou ainda mais força porque, recentemente, o próprio prefeito declarou publicamente preocupação com os impactos das contratações sobre a folha de pagamento e o equilíbrio financeiro do município.

O QUE ESTÁ EM JOGO

A questão central, segundo especialistas em gestão pública, não é apenas o número de servidores, mas a definição das prioridades administrativas.

Enquanto a Secretaria de Saúde afirma possuir projetos para ampliar o acesso da população aos medicamentos, a falta de profissionais necessários para colocar essas medidas em prática mantém a situação praticamente inalterada.

O resultado é sentido diariamente pelos usuários do SUS: filas, deslocamentos e dificuldades para obter um serviço que poderia estar mais próximo de suas casas.

Agora, após as declarações feitas na Câmara Municipal, cresce a expectativa para saber se haverá autorização para reforçar as equipes da saúde e permitir que o projeto de descentralização das farmácias finalmente saia do papel.

Até lá, quem continua aguardando é o cidadão que depende do medicamento e enfrenta, todos os dias, as consequências de uma estrutura que há anos opera sob forte pressão.