FEBRE MACULOSA: CONHECER PARA PREVENIR
Diante da gravidade da febre maculosa e da importância da informação como forma de prevenção, o Jornal Tribuna de Leme procurou o médico infectologista Dr. Gustavo A.C. Faggion para esclarecer as principais dúvidas da população. O especialista orienta sobre os primeiros sinais e sintomas da doença, os cuidados que devem ser adotados
A febre maculosa é uma doença infecciosa grave causada por uma bactéria chamada Rickettsia. Embora pouco conhecida por grande parte da população, ela pode evoluir rapidamente e causar complicações sérias quando não diagnosticada e tratada precocemente e até mesmo levar a morte.
A transmissão ocorre principalmente pela picada de carrapatos infectados. No Brasil, o principal vetor é o chamado carrapato-estrela, pois pode carregar a bactéria causadora da doença e transmiti-la ao ser humano por meio da picada. Esses carrapatos podem ser encontrados em áreas rurais, pastagens, margens de rios, lagos, represas, trilhas, gramados e locais com vegetação alta. Eles costumam parasitar animais como capivaras, cavalos, cães, bovinos e diversos animais silvestres.
É importante esclarecer que as capivaras não transmitem diretamente a doença para as pessoas. Elas funcionam como hospedeiros dos carrapatos, ajudando a manter o ciclo da bactéria na natureza. A transmissão para o ser humano acontece exclusivamente pela picada do carrapato infectado. Não existe transmissão de pessoa para pessoa.
Os primeiros sintomas costumam aparecer entre 2 e 14 dias após a picada e podem ser confundidos com outras doenças. Os sinais mais comuns são febre alta, dor de cabeça intensa, dores no corpo, mal-estar, náuseas, vômitos e fraqueza. Em alguns casos surgem manchas avermelhadas na pele, principalmente nas mãos e nos pés, embora elas possam não aparecer no início da doença.
Por isso, toda pessoa que apresentar febre e sintomas semelhantes após frequentar áreas com mato, rios, lagos, fazendas, sítios ou locais com presença de carrapatos deve procurar atendimento médico imediatamente. É fundamental informar ao profissional de saúde onde esteve recentemente e se teve contato com carrapatos ou animais.
O tratamento é feito com antibiótico específico e deve ser iniciado o mais cedo possível, mesmo antes da confirmação laboratorial, quando houver suspeita clínica.
A prevenção inclui evitar áreas infestadas por carrapatos, utilizar roupas compridas e claras, usar repelentes quando indicados e inspecionar cuidadosamente o corpo após atividades em áreas de risco.
Como mensagem final: "Atenção redobrada aos sintomas e o tratamento precoce podem salvar vidas".
Por Dr. Gustavo A. C. Faggion - Infectologista - CRM 76.810