HIPERTENSÃO ARTERIAL INFANTIL
A OMS - Organização Mundial de Saúde considera a hipertensão arterial um problema de saúde pública, uma vez que o número de casos não para de crescer. A doença age em surdina. Por isso é chamada de “mal silencioso”. Sem fazer alarde, afeta pessoas de todas as idades e condições sociais. Não poupa sequer as crianças e os adolescentes.
As pesquisas indicam que a elevação da pressão arterial na infância representa fator de risco para que a enfermidade se manifeste, mais tarde, na vida adulta. Por outro lado, filhos de pais hipertensos devem redobrar os cuidados com a prevenção desde cedo, porque pressão alta é uma doença hereditária, crônico-degenerativa que ataca os vasos sanguíneos e pode provocar lesões graves no coração, cérebro, rins, membros e outras grandes artérias do nosso corpo.
Causas e fatores de risco: Nos primeiros anos de vida, a pressão alta pode ser a manifestação secundária de alguma doença de base, especialmente de doenças renais, endócrinas, cardíacas e pulmonares, como a apneia do sono, por exemplo. Prematuros e crianças que nascem com baixo peso também estão sujeitas a desenvolver hipertensão arterial secundária.
Nem sempre é possível determinar a causa médica da pressão alta primária nas crianças e adolescentes. No momento, os estudos mostram que, assim como acontece com os adultos, histórico familiar, obesidade, sedentarismo, maior ingestão de sal e menor de potássio são fatores de risco que contribuem para o aparecimento da hipertensão arterial na infância. Na adolescência, o cigarro, o consumo de bebidas alcoólicas e de outras drogas, assim como o uso de anabolizantes e de pílulas anticoncepcionais pesa, também como fatores de risco para o surgimento da doença.
Sintomas: A pressão arterial elevada raramente causa sintomas em crianças, adolescentes e adultos. Por isso, a pressão arterial deve ser aferida com regularidade nas consultas médicas de rotina. Os sinais aparecem quando as complicações estão instaladas. Nesses casos, os mais comuns são dor de cabeça, tonturas, falta de ar, zumbido no ouvido, visão embaçada, sangramento nasal e cansaço.
Diagnóstico: Uma medida isolada com valores alterados não é suficiente para fazer o diagnóstico de hipertensão arterial. Muitas vezes, o aumento da pressão é transitório e pode ser consequência da “síndrome do avental branco”. Ou seja, o simples fato de estar no consultório, diante do médico, basta para a pressão arterial subir, independentemente da idade. Por isso, crianças e adolescentes só podem ser considerados hipertensos depois de que três medições consecutivas realizadas em ambientes e situações diferentes confirmem o aumento da pressão arterial.
A análise dos níveis da pressão arterial na infância, baseia-se em critérios estatísticos, usando como referência tabelas com os valores normais da pressão arterial sistólica e diastólica em crianças e adolescentes da mesma idade, sexo e percentil de estatura. O diagnóstico leva em conta, ainda, o levantamento minucioso da história clínica do paciente, o exame físico, a análise de possíveis sinais e sintomas e o resultado de alguns exames laboratoriais.
Critérios para diagnóstico: A avaliação da pressão arterial na infância e adolescência deve obedecer às seguintes normas básicas:
- todas as crianças a partir de 3 anos de idade e os adolescentes devem medir a pressão arterial com regularidade nas consultas médicas de rotina. Abaixo dessa idade, a pressão deve ser aferida, quando há suspeita de hipertensão secundária a outras condições de saúde;
- antes de medir a pressão, a criança deve permanecer em repouso por 5 minutos, em ambiente tranquilo, na posição sentada, com as costas apoiadas e sem cruzar as pernas, com o braço estendido na altura do coração e a bexiga vazia;
- os aparelhos usados para medir a pressão nos adultos não servem para o exame das crianças. Existem modelos específicos para uso em pediatria. Eles possuem o manguito com a bolsa de borracha no tamanho adequado à circunferência do braço da criança e devem ser recalibrados a cada seis meses. O método auscultatório, utilizando o estetoscópio e o movimento do ponteiro do manômetro, é o mais indicado para aferir a pressão arterial nessa idade.
Tratamento: O diagnóstico precoce e a introdução imediata do tratamento para controlar a hipertensão arterial na infância e adolescência são fundamentais para prevenir complicações da doença no futuro. A escolha do esquema terapêutico está diretamente ligada à identificação das causas do distúrbio. Nos casos de hipertensão arterial secundária é possível controlar, e até curar, a pressão alta combatendo o agente causador, seja ele uma doença que aumenta a pressão sanguínea nas artérias ou o uso inadequado de certos medicamentos.
Nos outros casos, que constituem a grande maioria, quando não há uma causa definida, mudanças no estilo de vida são fundamentais para diminuir os níveis da pressão arterial nessa faixa de idade, a começar pelo controle do peso. Pesquisas mostram que hipertensão arterial, sobrepeso e obesidade caminham de mãos dadas também nas crianças e adolescentes. Ganhou peso, a pressão sobe; perdeu peso, a pressão cai.
Recomendações: O tratamento da hipertensão arterial infantil requer mudanças no estilo de vida que vão fazer bem para a família toda. Por isso, nada de “faça o que eu mando e não faça o que eu faço”. Perceber que outras pessoas da família estão empenhadas nessas mudanças – dar preferência a alimentos saudáveis, praticar exercícios físicos e não abusar do sal – vai ajudar a criança com pressão alta a enfrentar melhor o tratamento;
As condições de vida nas cidades grandes predispõem crianças e jovens ao sedentarismo. Eles passam horas e horas diante da TV, do computador, com o celular ou o tablet nas mãos. É preciso estar atento e aproveitar todas as oportunidades para fazer a criança movimentar-se. Qualquer pretexto vale: uma caminhada até a padaria, uma volta no quarteirão, utilizar as escadas em vez do elevador, por exemplo.
Por Maria Helena Varella Bruna