PARTE 1: WAGÃO CONCEDE ENTREVISTA AO JORNAL TRIBUNA DE LEME E FALA SOBRE LEME E A POLÍTICA LOCAL
O Jornal Tribuna de Leme procurou Wagão, para conceder entrevista após sua participação em podcast e resposta em vídeo do prefeito Claudemir Borges. Wagão comentou sobre vários temas relacionados a cidade, a gestão e aos problemas enfrentados pela população diariamente. Confiram:
JORNAL: O prefeito Claudemir Borges afirmou que as festas realizadas em Leme são tradicionais e que sempre existiram, dizendo que as próximas administrações também continuarão promovendo esses eventos. Como o senhor vê essa situação?
WAGÃO: Eu também reconheço que muitas dessas festas são tradicionais e fazem parte da história da cidade. O problema nunca foi realizar eventos para a população. O problema são os valores que estão sendo gastos.
Vou dar alguns exemplos. Nos últimos anos, o Natal chegou a consumir quase R$ 1 milhão. A Educaipira tem um custo estimado em aproximadamente R$ 500 mil. Agora, a Prefeitura publicou uma licitação com previsão de quase R$ 5 milhões apenas para aluguel de tendas.
Se somarmos esse valor com gastos com palcos, sistemas de som, banheiros químicos, shows e toda a estrutura necessária para esses eventos, estamos falando de mais de R$ 10 milhões destinados a festas.
E é justamente aí que entra a discussão: quais são as prioridades da cidade?
Enquanto isso, a população reclama da falta de médicos, da demora para exames e cirurgias, das ruas cheias de buracos, da necessidade de recapeamento, de escolas precisando de manutenção e de tantos outros problemas que afetam o dia a dia das pessoas.
Outro ponto importante é esclarecer uma informação que muitas vezes é divulgada de forma equivocada. Alguns dizem que "o dinheiro da Cultura só pode ser gasto com Cultura". Isso não é exatamente assim.
Grande parte desses eventos é financiada com recursos do Tesouro Municipal, ou seja, dinheiro arrecadado com impostos como IPTU, ISSQN, ITBI, IPVA, ICMS, FPM, e outras receitas próprias do município. Respeitadas as aplicações mínimas obrigatórias previstas na Constituição para áreas como Saúde e Educação, o Município possui margem para definir onde aplicará boa parte desses recursos, conforme as prioridades estabelecidas no orçamento, portanto, é decisão do prefeito se gasta em saúde ou gasta em festas.
Inclusive, basta analisar a Lei Orçamentária Anual dos últimos anos. Verifica-se que a dotação inicial da Secretaria de Cultura foi sendo ampliada por meio de suplementações ao longo do exercício, indicando que o orçamento originalmente previsto não era suficiente para custear todos os eventos realizados.
Por isso, a discussão não é se a cidade deve ou não fazer festas. A pergunta é outra: os valores gastos são compatíveis com a realidade do município? Em um momento em que faltam investimentos em áreas essenciais, acredito que é legítimo discutir se parte desses recursos poderia ser destinada para melhorar a saúde, recuperar o asfalto, reformar escolas e investir em serviços que impactam diretamente a qualidade de vida da população.